Ele começou a publicar tarde, quase aos 50 anos. Mas sempre trouxe a literatura no sangue, embora os compromissos com a realidade imediata o tivessem impedido de exercer sua vocação de escritor – sim, para ele trata-se de uma vocação – antes da maturidade. Mas foi bom. No final das contas, o temporão Antonio Carlos Resende acabou privando o público de obras imaturas ou marcadas pela imperfeição e o brindou com pequenas obras-primas de uma ficção profundamente marcada pela angústia do amor e, naturalmente, do sexo.
Foram ao todo 11 romances, numa carreira iniciada há exatos 30 anos com um título que, por si só, já chamava a atenção do meio literário. Magra mas não muito, as pernas sólidas, morena (L&PM, 1978) colocou em cena, sem meias palavras, o amor impossível entre um bodegueiro bronco e uma mulher exuberante. E assim foi: nos romances posteriores, Resende sempre investiu contra a suposta normalidade das relações humanas, mostrando que por trás das aparências escondem-se expressões de ressentimento, de ódio e de violência.
No último livro, radicalizou a experiência humana e abordou temas contemporâneos, como o tráfico de drogas e o preconceito racial. O resultado é um livro vigoroso, que todavia mantém o estilo elegante e provocador do maior discípulo do crítico e escritor Paulo Hecker Filho.
Fonte: www.lpm-editores.com.br/v3/artigosnoticias/user_exibir.asp
(Leia também neste link uma entrevista e mais detalhes de algumas de suas obras)