Escritor e jornalista, Michel Laub (1973), é autor de três romances, todos publicados pela Companhia das Letras: "Música Anterior" (Cia. das Letras, 2001), "Longe da Água" (Cia. das Letras, 2004) e "O Segundo Tempo" (Cia. das Letras, 2006). Gaúcho, reside atualmente em São Paulo, onde leciona criação literária na Academia Internacional de Cinema de São Paulo e atua como colaborador para a Folha de S.Paulo. Foi ainda editor-chefe e diretor de redação da revista Bravo.
Um dos principais nomes da literatura nacional atualmente, Laub já recebeu o prêmio de revelação da União Brasileira dos Escritores, além de ter sido finalista do aclamado prêmio Jabuti, por seu mais recente romance, "O Segundo Tempo", que tem como pano de fundo a semana de um Gre-Nal (Grêmio x Internacional), no Campeonato Brasileiro de 1989. O narrador precisa dar a notícia ao irmão que seus pais devem se separar (o pai conhecera uma nova mulher).
Esse amor carcomido é conduzido, pela perspectiva do filho, por uma estranha temporalidade, típica da visão de um adolescente, na passagem para a vida adulta, motivo este que parece guiar toda a obra do autor. E o futebol, ao contrário do que parece, fugindo ao trivial relato, não funciona como válvula de escape para essa narração, mas sim como duplicação dessa verdadeira tragédia na vida dos filhos (a separação dos pais). Assim, tematiza-se o esporte não pelo viés fácil da projeção como saída, solução. A mesma fragilidade psicológica também encontramos no seu romance de estréia, em 2001, "Música Anterior".
O impasse afetivo, a aparente noção de controle e posse que exercemos frente ao objeto amoroso, especialmente o da esfera familiar, que, quando se perde, faz com que a personagem busque a resposta na imagem distorcida e errada do quebra-cabeça montado, mas não necessariamente ordenado.
Nessa caso, o protagonista faça uma cuidadosa (e perigosa) reconstituição de sua vida: o juiz acaba por ser vítima de uma sagaz inversão do narrador: sua autoridade é relativizada quando exposta em contato direto com seus traumas.
FONTE: www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u417243.shtml