(Guaraqueçaba - PR, 31/05/1863; Curitiba - PR, 30/08/1905)
Aluno da Escola Militar do Rio de Janeiro e Porto Alegre, Domingos Nascimento participou da propaganda republicana ao lado de Júlio de Castilhos por ocasião de sua passagem pelo Rio Grande do Sul. Aliás, esta região está presente em algumas alusões temáticas e relaciona-se com um de seus primeiros livros de poesia Trenos e arruídos (1887) que foi publicado naquele Estado, enquanto o primeiro, Revoadas (1883), foi publicado no Rio de Janeiro, onde chegou a ser major.
De volta ao Paraná já gozava do prestígio de haver publicado dois livros e da fama de ser um jornalista polêmico e independente.
Fundou o jornal Folha Nova cujo primeiro número saiu em 13 de janeiro de 1893 e trazia um editorial que tornava claro os propósitos republicanos de Domingos Nascimento: “O diretor da redação da Folha Nova entrega esse novo órgão de publicidade ao critério e ao apoio de seus compatrícios, e cujo programa é o de todos os jornais que trabalham para o bem público.
Reserva, porém, para o seu governo este lema que é todo o seu intuito presentemente: ‘Conservar a República para melhorá-la’ (...)
Com este pensamento comecei a minha propaganda republicana, há alguns anos, e com ele prosseguirei reencetando com mais ardor e mesma propaganda.”
O jornal logo atraiu os “novos” e os fundadores do Cenáculo. Silveira Neto no longo estudo sobre o grupo deixou registrada a relação do Cenáculo com o diretor da Folha Nova: “O primeiro jornal de novos moldes adiantados, no seu gênero, que se publicou em nossa Capital, e onde a mocidade paladina do estudo encontrava poderoso incentivo ao desenvolvimento de seu espírito e adestrava a pena; as nossas relações aproximada aí, estreitando-se com a Revista Azul” (1893).
Assim, Domingos Nascimento que já participava das reuniões no Karoim de Dario Vellozo, seria um dos colaboradores ativos da primeira revista criada pelo grupo e, desde logo, marcou sua presença.
Sobre ele, ainda referir-se-ia Silveira Neto, ao narrar a retomada de reuniões após a Revolução Federalista:
“Domingos Nascimento, que atravessou a passada geração literária paranaense e veio colocar-se em lugar saliente na geração moderna (...) autor de dois volumes de verso, Revoadas e Trenos e arruídos; tem a publicar Contos de caserna e a Mística, livro decadente, por certo melancólico; mesmo nas poesias em que trabalha a aleluia do gozo, porque o decadismo é a melancolia da frase”.
Se Contos de caserna foi publicada em 1901, Mística é um livro sequer arrolado em sua bibliografia, e talvez a referência de Silveira Neto, ao decadismo do poeta, permitisse imaginar que deste livro fizesse parte a famosa “Canção de um decadente”, texto que ao lado de outros que exploram a temática das brumas e da medievalização, justificara a inclusão de Domingos Nascimento como um dos precursores do simbolismo, ao lado de Medeiros e Albuquerque.
Domingos Nascimento participou ainda de outras revistas simbolistas como Club Curitibano, O Cenáculo, Turris Eburnea, Breviário, A Pena, Victrix, Stellario, o que demonstra que apesar de haver se fixado na prosa, colaborou nos periódicos que cobrem o movimento de 1893 a 1907, com textos de poesia.
Exerceu mandato de deputado federal, mas sempre continuou atuando como jornalista, em alguns casos com o pseudônimo de Leo-Lino e Gastão de Luc.
Apesar de haver iniciado sua carreira como poeta e haver deixado vários poemas esparsos, suas obras publicadas após 1887 são em prosa. É o caso de Sul (1895), Pelo dever (1902), Pela fronteira (impressões de viagem - 1903), O homem forte (1905), Flora têxtil do Paraná (1908) e A hulha branca (1914).