Personalidade e escritor marcante, vigoroso, iluminado. Praticamente um sábio, Flávio José Cardozo não é uma celebridade nacional ou mundial unicamente por burrice e ingratidão da mídia. Ainda assim, é uma pessoa feliz sem pretensões ou ambições, que realmente sabe viver. Ele conversou brilhantemente com a nossa revista.
"Amor é aquele gesto que, às vezes, distraído, o egoísmo deixa escapar."

Nome completo:
Flávio José Cardozo
Data e local de nascimento:
Nasci em Lauro Müller, SC. Pelos documentos, em 2 de novembro de 1938; na realidade, em 6 de outubro. O erro em cartório acabou me dando, bem adiante, uma satisfação: descobri que Lindolf Bell, estimado amigo, era (mas ele, sim, de verdade) também de 2 de novembro de 1938.
Como você se define?
Uma micropoeirinha cósmica, o que já é alguma coisa. Não sei a vantagem disso, mas é.
Por que você escreve?
Se viesse a saber de verdade porque escrevo, creio que a coisa perderia um pouco da graça. Desconfio que seja pelo simples gosto de me envolver com palavras, criar com elas uma fantasia, jogar. Essa concepção de jogo me agrada, me deixa mais à vontade. Mas às vezes ainda me pergunto se será mesmo só por isso.
Apesar de você ser um dos grandes autores de Santa Catarina, o regionalismo dos seus livros e os temas que você mais gosta de abordar não restringe a sua literatura e o seu reconhecimento apenas ao Sul?
Não posso atribuir ao meu ambiente ficcional e aos meus temas o fato de eu não ser mais conhecido. Acredito que isso não seja determinante. A questão, me parece, além do principal que é a obra em si ter ou não ter algum mérito, é dispor de mais divulgação lá fora. Sei que é altamente recomendável estabelecer e manter em dia um bom relacionamento com o pessoal do meio, prática em tenho sido bem incompetente. Sem falar também nuns empurrões do que chamamos sorte...
E então? Você já teve (ou ainda tem) esta ambição do reconhecimento nacional?
Num sentido mais grandioso da palavra, nem de longe (e bota longe nisso!) me considero reconhecido nacionalmente. O que tenho aí por outros estados são alguns leitores, creio que mais das áreas literária e acadêmica, que gostam de saber o que se escreve pelo Brasil afora e me incluem na sua curiosidade. Em qualquer das instâncias – leitores, críticos e estudiosos - a bela expressão reconhecido nacionalmente não faz parte do meu currículo. E tenho a suficiente noção das medidas para não alimentar ambições a respeito.
Você já disse numa entrevista que “não foi você quem decidiu ser escritor, mas alguma coisa que decidiu por você quando se tornou curioso das palavras, ainda criança.” Olhando para trás hoje, você se considerava talentoso já nesta época de infância, ou esta curiosidade, dedicação e amor pelas palavras e pelos livros que lhe fizeram ser um bom escritor? Em suma, dom ou esforço?
Descobrir, na escolinha do primário, que com palavras era possível voar num tapete e ouvir bichos foi realmente um grande acontecimento. Abria-se uma porta milagrosa, a do ir-e-vir da fantasia. Entendo que a percepção duma outra realidade – e ali estava escrito que aquilo existia! - foi uma dádiva para a qual não era preciso talento, apenas uma feliz disponibilidade para o envolvimento.Eu gostava também de jogar bola e de brincar de mocinho, mas ler histórias era um prazer diferente, não exigia correrias mas uma boa concentração, e aquilo levava para muito longe. Foi um prazer que continuou e acabou não se contentando consigo mesmo, ao natural veio a vontade de eu também fazer invenções – e aí fui aprendendo que ler dá prazer e que escrever é mais complicado, dá prazer e dá sofrimento. Atribuo então àquela definição de gosto lá na infância o gosto e o empenho depois por uma aventura própria.
Você acha que pra se tornar um grande escritor é necessário trabalho duro,como um "operário da escrita" ou é uma questão de mero talento?
Um grande escritor (estou empregando o adjetivo com o rigor que merece) é um fenômeno da natureza, tem muitos mistérios que me espantam e não ouso explicar. Pois não tenho dúvida de que até os grandes escritores, e não apenas os outros, entre os quais me encontro, precisaram e precisam de muito trabalho duro para realizar sua obra. Mesmo nos gênios e muito talentosos a regra é a velha e boa transpiração, quanto mais nos mortais comuns. Concordo com quem coloca no topo das qualidades do escritor, tenha ele a estatura que tiver, ser insistente, persistente, teimoso, trabalhador. Isso, na verdade, não deixa também de ser um dom, não é para qualquer um. Por ser o mais decisivo, é o item das minhas limitações que mais lamento.
Você acha que publicar livros no Brasil é fácil, difícil ou depende de cada um?
Depende de cada um. Batalhando, procurando meios, dá para publicar. O grande problema, maior que escrever e publicar, é outro – é ser lido.
O que você acha das publicações virtuais? Para onde vão os livros com inovações como o Kindle?
Todas as novidades que signifiquem expansão da leitura são bem-vindas, é ótimo que os meios se diversifiquem no ritmo dos tempos. O livro como conteúdo nunca deixa de existir. Importa é que ele chegue sempre às pessoas, quem sabe em muito maior quantidade com as facilidades que forem aparecendo.
Para o seminário você sempre deixou muito claro que não tinha nenhuma vocação. Por que? Fale um pouco sobre isso e sobre sua religião ou fé religiosa também...
Fui para o seminário numa pescaria de vocações que um frei da ordem dos servitas andou fazendo em nossa região. Para minha mãe, aquilo caiu do céu. Por influência dela, eu já sabia ajudar missa, e bem me lembro de como ela gostava que eu mostrasse meu latim ao tio Souvenir. Para mim, a pescaria do padre também caiu do céu, pois ia me permitir conhecer coisas novas fora do Guatá. Fomos numa turma de uns vinte. A passagem pelo seminário foi para mim uma experiência importante e acho que teve a duração certa (um ano e meio), o suficiente para aproveitar bem a biblioteca que lá havia - saudades do Tesouro da Juventude, da coleção Terramarear, do Coração de Edmondo d´Amicis, entre tantos outros –, as aulas de português e literatura de frei Romeu e as partidas de futebol organizadas por frei Bernardo, das quais eu cheguei a ser, modéstia à parte, apreciado cronista. Foi uma experiência boa também por ter-me ensinado hábitos como a pontualidade nos horários e infundido um grande desprezo por falsas aparências e falsas louvações. E foi lá também que contraí uma definitiva dificuldade para frequentar longas cerimônias. Gostava muito da música de frei Gregório e também do sermão de frei Romeu, mas o resto era comprido. Dona Isaura logo viu que seu filho não nasceu para a batina e resignou-se. Quanto à fé, bem cedo optei por uma solução caseira, eu com meus botões, sem rituais, de vez em quando me questionando sobre o inquestionável Mistério.
Por que você não fez questão de terminar a faculdade de Jornalismo? Já pensava (bem antes da não-obrigatoriedade do curso, como agora) que não é uma faculdade realmente necessária?
Nas escolas onde vou conversar de livros, saio de fininho quando o assunto é meu histórico escolar. Não sirvo de bom exemplo. Frequentei apenas a metade do curso de Jornalismo na PUC, em Porto Alegre, e se saí foi mesmo por falta de empolgação, ainda mais que eu nunca pensei em ser um jornalista profissional. A atual não-obrigatoriedade do diploma para o exercício da atividade nada tira da importância do curso.
Você acredita que um escritor precisa de algum diploma em alguma área determinada? O que um autor precisa afinal?
Um escritor não precisa de diploma nenhum para o exercício do seu trabalho. Um escritor precisa é olhar o mundo, a vida, inventar em cima do que vê, cuidar de sua palavra, ter senso de humor. Sem diploma, regras e pressões.
Quais os livros mais marcantes que você já leu na vida?
Os livrinhos reveladores da infância, Tarzan e outras aventuras, os de Lobato, o já citado Tesouro da juventude, As mil e uma noites, a Bíblia, o Dom Quixote, Macbeth e King Lear, As viagens de Gulliver, O vermelho e o negro, Madame Bovary, Crime e castigo, vários contos de Tchecov, O processo, a lírica de Camões, todo Fernando Pessoa, Grande sertão: veredas...
Quais os escritores brasileiros que você mais admira?
São tantos... Destaco a trindade Machado-Guimarães-Graciliano.
E do sul do Brasil (Rio Grande do Sul. Santa Catarina e Paraná)?
Tantos também, mas vai outra trindade: Érico-Othon d´Eça-Leminski.
Sendo um escritor requisitado pela imprensa, você não cansa de responder, em geral, as mesmas (ou tão parecidas) perguntas? Como lida com isso?
A repetição de perguntas é inevitável nas entrevistas. Mas sempre conto com perguntas novas e também com novos leitores para lerem as velhas respostas sem se chatear.
Fale um pouco de sua rotina. Você escreve todos os dias? Tem algum horário que reserva só para literatura? Levanta cedo? Consegue conciliar bem a vida profissional com a pessoal? Quantos filhos tem, quais idades deles e o que fazem atualmente? Como é a sua família?
Estou aposentado e, para o bem e para o mal, senhor da minha rotina. Posso dizer que ser aposentado não significa mais tempo para me ocupar escrevendo – na verdade, no tempo das oito horas diárias de batente fora de casa o trabalho era mais constante. De qualquer maneira, não fico só ouvindo os passarinhos. Levanto por volta das sete, escrevo e leio mais pela manhã, caminho, brinco com meu neto Pedrinho no quintal. Minha vida profissional e social é tranquilíssima. Casado com Isabel, temos quatro filhos, Flávio (48), Sérgio (47), Rogério (46) e Leonora (34), e oito netos. É uma família é simples e unida, o que não tem preço.
Como um dos primeiros tradutores de Borges no Brasil, você se orgulha ou se arrepende de algo que traduziu, já que não raras vezes disse que a tradução é algo tão árduo e que, dificilmente, faria novamente?
Envolvido, como funcionário da Editora Globo, no processo de contratação das obras de Borges para a língua portuguesa, acabei assumindo a tradução de dois de seus livros – O aleph e História universal da infâmia. Não me arrependo, mas foi, sim, uma experiência que me preocupou bastante, sobretudo pela importância do autor, pelas armadilhas da língua e pelas sutilezas dos textos.
Você já teve trabalhos que nada tiveram a ver com a literatura, como na Souza Cruz, certo? Você acha que isso é bom ou ruim para um escritor (trabalhar em áreas diferentes da que deseja principalmente por questões financeiras, como ocorre com a grande maioria)?
Meu primeiro emprego foi de revisor no “Diário do Paraná”, em Curitiba, em 1956. Em Florianópolis, trabalhei no Departamento de Endemias Rurais; em Tubarão, na Souza Cruz e, em Porto Alegre, numa fábrica de óleos vegetais, atividades bem distantes da literatura. Mas depois passei para áreas que, de alguma forma, tinham ligação com livro e cultura. Fiquei vários anos na Editora Globo e depois aqui na nossa Imprensa Oficial, onde pude realizar alguns serviços no campo editorial. Atuei também na Fundação Catarinense de Cultura. Não diria que trabalhar nessas áreas tenha influído positiva ou negativamente nos meus esforços com a criação literária. Não sei é se uma atividade como o jornalismo, por exemplo, que lida também com as palavras e sempre de uma forma tão agitada e absorvente, não prejudicaria. Nunca trabalhei em redação de jornal, naquele ritmo frenético, e desconfio que não iria me adaptar.
Aliás, quando você ganhou mais dinheiro com a literatura ou com seus livros? Você acha que é possível hoje, no Brasil, um escritor viver do que escreve?
Minha literatura, do ponto de vista financeiro, é de uma modéstia que antigamente se definia como franciscana. Tenho ganho meus direitos autorais, mas qualquer beneficiado com bolsa-família me tira de letra... e isso sem trabalhar com letras nem nada . A adoção de alguns livros meus em escolas tem ajudado, reconheço. Mas nunca aprendi o caminho das pedras para vender mais o meu peixe, me faltou ousadia e determinação (ou cara de pau) para isso. Não tenho dúvida de que é necessário um talento extra para ganhar dinheiro escrevendo.
Visitando escolas e fazendo trabalhos literários pelo estado, qual o caminho que o senhor acredita que é necessário para que muito mais jovens (e adultos também) se interessem mais por leitura?
Aqui acredito na absoluta necessidade de o poder público estar bem presente. A criação de mais bibliotecas escolares e comunitárias, a melhor formação e remuneração dos professores, a aproximação de autores com estudantes, concursos e maratonas, tudo isso num programa sério e permanente buscaria o jovem para a leitura e para a convivência cultural, com os resultados que facilmente podemos imaginar. Essa receita é tão antiga e tão óbvia que a repetição até constrange.
Já ouvi dizer por aí que “leitura não é algo necessário”, bem como que “desejar que alguém que não gosta de literatura leia algum livro é como obrigar quem não gosta de samba a amar o carnaval”. Para estas pessoas, por que o senhor diria que ler é tão importante?
Convencer alguém a se tornar leitor depois de grande é uma tarefa para Hércules, algo como endireitar sombra de vara torta. Bem mais difícil que fazer um alérgico a samba dançar na avenida. O gosto pela leitura resulta de um aprendizado, de uma influência, de um contágio, de um processo. Daí ser necessário apostar nos primeiros anos. Claro que pessoas para quem o livro não tem importância ou é simplesmente um amontoado de enigmas podem ter um dia o seu estalo e aderirem à prática da leitura. Sinceramente, não confio muito no meu poder de persuasão junto a adultos. Sempre que surge a oportunidade de lhes falar bem do hábito de ler, falo, mas prefiro gastar meu latim mais com os pequenos.
Ter vencido concursos em tantos estados diferentes te proporcionou o quê de mais gratificante?
No começo, participei de concursos e em alguns deles fui bem-sucedido. Foi uma forma de tentar abrir algum caminho. Meu primeiro livro, Singradura, foi solicitado pela Globo (onde, na verdade, eu trabalhava) por ter-me saído bem com três contos no Concurso do Paraná. O segundo, Zélica e outros, saiu no Rio também por causa de um concurso. Isso foi gratificante, sem dúvida.
Você manteve uma coluna diária no jornal Diário Catarinense por tanto tempo. Qual de suas crônicas deu mais repercussão? (em número de comentários de leitores, cartas, polêmica...enfim)
Foi interessante ser cronista diário do DC por vários anos, mas chegou um momento em que eu e os leitores precisávamos de uma parada. Pedi uma licença por um ano, gostei da licença, pedi para renovar, gostei também - e não voltei mais. Pode o leitor ter certeza de que a tarefa está mais para pedreira que para brincadeira. Da experiência, além do forçado exercício diário com a palavra, sobretudo com a contenção da palavra, foi bom o contato de leitores por cartas, telefonemas e comentários aqui e ali. Às vezes era um pito, como o de uma senhora muito brava porque ironizei o poder dos santos – até hoje não me conformo que ela tenha recortado a crônica e escrito nas margens que não ia mais me ler, embora (que maldade ainda me dizer isso!) sentisse prazer no meu estilo... Mas no geral as cartinhas eram amáveis e aquilo animava bastante o operário da pedreira. Algumas crônicas ficaram bem conhecidas e circulam por aí, como “Bem-aventurados os que andaram de trem”, “Da arte de comer melancia”, “Seu Coisa”, “Sanfoninha de oito baixos”, “A meiga Felisberta”, “No cinema”, “Sofá na rua”, “Ursa no estômago”...
Quais os pontos positivos e negativos de escrever em parceria, como algumas vezes você opta fazer?
Só vejo pontos positivos nessas parcerias. Sempre tive grande prazer em participar de obras coletivas – e um prazer muito, muito especial tem sido o de dividir livros com colegas como Silveira de Souza, Sérgio da Costa Ramos, Jair Francisco Hamms, Tércio da Gama. São grandes amigos e é honroso para mim que me tenham aceitado junto deles.
"Ponta dos Naufragados" continua sendo um de seus projetos? Fale um pouco sobre isso.
Esse projeto caminha tão devagar que recomendo não acreditarem seriamente nele. Se virar realidade, ótimo; se não virar, paciência. Seria um outro livro tendo por base a Ilha de Santa Catarina, dessa vez com um fundo mais de tragédia, dos velhos tempos aos tempos doidos que ela vive hoje.
Quais as maiores diferenças de escrever para o público infantil ou juvenil e para o público adulto?
Durante bastante tempo adiei meu projeto para crianças, movido pelo receio de que, se escrevesse, não ia acertar o tom e ia ser vaiado por elas. Quando me decidi mesmo, depois de ter encontrado uma personagem digna de um livrinho, o bem-te-vi gago Bem-bem, e me pus a trabalhar, fui vendo que o negócio não é tão difícil. Basta ser também criança, entrar no clima com naturalidade, nada de falar de cima, mas falar no meio dos outros meninos e meninas, ir na poeira deles onde eles forem. Brincar, brincar. Além dessa indispensável volta à infância que a escrita possibilita, ir depois às escolas conversar com as turminhas é uma alegria só. Tenho muita vontade de escrever mais para crianças. Estou convencido de que nesse gênero, com seu brinquedo, o escritor se torna verdadeiramente útil.
Para quem ainda não conhece sua literatura, qual dos seus livros você recomendaria para começo?
Recomendaria começar pelo primeiro, Singradura, mas sem deixar de ler depois Zélica e outros. São histórias passadas numa Ilha que, sem fazer tanto tempo assim, era bem outra.
Falando em livro, diga às pessoas qual o motivo para ler seu livro mais recente?
Meu livro mais recente chama-se Sopé. É uma seleção de textos que fui publicando no correr do tempo tendo por ambiente a vila da infância, o Guatá, no pé da Serra do Rio do Rastro, na região carbonífera do Sul de Santa Catarina. Acho que ficou um livro bonito (publicado pela Editora da Unisul), pois traz para cada texto um desenho do artista plástico Tércio da Gama. É pena que já esteja quase esgotando, pois a edição foi bem pequena.
Defina algumas palavras:
Amor – Aquele gesto que, às vezes, distraído, o egoísmo deixa escapar.
Sexo – Inventem coisa mais criadora de casos, quero ver.
Liberdade – Algo que, embora sempre relativo, sem ele não me imaginaria gente.
Religião – Criação do homem querendo enquadrar o Absoluto.
Deus – o Mistério que mais provoca – e como insiste!
Inteligência – Em si, um instrumento. O fim para o qual é usada é que determina se é das boas ou se é apenas esperteza, oportunismo, vivacidade.
Burrice – Uma qualidade que costumamos ver nos outros quando os outros não veem as coisas do jeito que vemos.
Prosperidade – Ter o básico sem dever nada a ninguém e sobrar uns três milhões na poupança para qualquer emergência.
Vida – Um fosforejo e vupt!
Morte – Tão certa: certa no vir, certa em ser para todos, justiceira e apaziguadora.
Você já esteve envolvido com a política no passado, tendo sido candidato a vereador, não? Por que você desistiu de tentar tal carreira, e como você vê a política hoje?
O episódio da candidatura a vereador em Tubarão, aos 25 anos, foi decorrência mais de uma birra que de uma ambição nessa área. Fui convidado a ser candidato, não me empolguei, já estava enojado de política com a renúncia de Jànio Quadros, em quem havia votado e por quem tinha até subido num palanque; mas insistiram e acabaram me convencendo a aceitar a candidatura e então a empresa onde eu trabalhava não quis, era norma sua não permitir que funcionários se metessem em política ou em sindicatos. Achei aquilo um desaforo, claro. Concorri, perdi, entrei num gelo na empresa, pedi demissão, fui me aventurar em Porto Alegre, onde encontrei um bom caminho. Bendita candidatura. Embora sempre atento à política, nunca me interessei por partido ou me deixei seduzir pelo zumbido de qualquer mosca azul, vermelha ou amarela. Acho uma miséria a política que anda por aí. Claro que há gente boa. Mas desconheço concentração humana com maior incidência de cafajestes.
Qual o sentido da vida pra você?
Se tem algum, sinceramente não alcanço.
Como gostaria de morrer?
Se tivesse de ser numa situação dramática (doença, assalto, fuzilamento), que nela eu pudesse mostrar alguma coragem. Tenho medo de morrer morrendo de medo. Mas o que eu queria mesmo era morrer do jeito que qualquer ser humano sensato gostaria - dormindo.
Já usou drogas, inclusive bebidas?
Fumei durante uns vinte anos. Um dia, decidi parar. E parei mesmo, não sem pouco sofrimento. Até hoje me sinto um super-homem...
Quais seus próximos lançamentos, etc?
Ano passado houve dois lançamentos. Um descanso agora para a plataforma.
Gostaria de deixar alguma mensagem ou falar alguma coisa que não foi questionado?
Em vez de mensagem, uma palavrinha de cortesia e do coração: obrigado.