ESTUDO SOBRE A VIDA E A OBRA DE
Fernando Amaro de Miranda
(O primeiro poeta paranaense)
1831 – 1857
por Paulo Walbach Prestes*
FERNANDO AMARO DE MIRANDA:
O EFÊMERO E O ETERNO
Não apenas uma rua curitibana, cheia de arvoredos de ponta a ponta – uma verdadeira alameda, com a maioria das casas residenciais, que conheci ainda com sete anos de idade, quando mudamos para o bairro Cristo Rei, em 1952.
O bairro é traçado por ruas com nomes de poetas, escritores e imortais, esta rua aninha-se num berço de grandes nomes que embalam a própria literatura,entre os quais, Schiller, Camões, José de Alencar, Rodrigo Otávio, Dias da Rocha Filho, Rocha Pombo e outros eméritos...
Mal sabia, nessa idade, quem seria esse vulto. Mas sabia que era uma rua diferente das outras, uma rua cognominada Fernando Amaro – uma rua imortalizada pelo seu nome – uma rua poeta...
Fernando Amaro de Miranda não poderia ser considerado um grande poeta – entretanto, levando-se em conta a idade, o meio e a época vividos, as condições dos vilarejos, as condições financeiras da família e as dificuldades que impediam o desenvolvimento de alguém menos protegido da sorte em relação ao universo de seus sonhos, Fernando Amaro, apesar de tudo, foi uma grande esperança que a morte impiedosamente ceifou daquela pequena comunidade, mas que a história literária do Paraná, o incluiu honrosamente como o primeiro poeta paranaense.
Fernando Amaro, filho de Antonio Dyonísio de Miranda e de Anna Rosa de Miranda, nascido em Paranaguá/PR, em 24 de junho de 1831 (data presumida). Ainda menor foi residir em Morretes, pequeno vilarejo às margens do Rio Nhundiaquara, litoral paranaense, onde viveu maior parte de sua breve existência.
SUA VIDA:
Pouco se sabe dos seus estudos. Nada, quase nada deixara seu pai. Exerceu a função de guarda-livros (contador) e de secretário da Câmara de Morretes. Em 15 de fevereiro de 1857, se constituiu consignatário de comerciante de Curitiba para receber cargas das importantes empresas da capital da província.
E assim, o seu currículo profissional limitou-se a essas modestas atividades, que para ele, que pouco possuía, poderia servir de incentivo, autoconfiança e expectativa de uma vida melhor do que da sua pobre infância.
Sua vida não foi das mais fáceis, porém o seu espírito de lida e de luta, envolto pela magia da esperança e da fé, buscava o saber pela leitura, e o fazia em todos os momentos que não estava trabalhando. Lia até nos bancos da praça ou debaixo das árvores das ruas. Lia tudo o que aparecesse do seu interesse – recortava, colava ou copiava, juntando tudo num caderno, principalmente textos com mensagens poéticas, assim como a própria poesia, pois o acesso aos livros dos grandes poetas da época, não era rotineiro. Devorava o que lia. Assim iniciava o seu mundo de sonhos, no mundo mágico da poesia. Já dotado de talento poético e guiado pela pouca instrução e grande vontade de criar um nome todo seu, inspirou-se ao soletrar versos de alguns poucos poetas e escritores prediletos que as suas condições lhe oportunizaram.
Jovem bastante sensível e de alma delicada e apaixonado pela natureza, emprestou aos seus primeiros poemas essas virtudes e assim homenageava a terra mãe com seus versos nas cores da mata, das flores, do céu, do mar. Emoldurava assim, os seus escritos com a sua inteligente e rica forma de captar o belo que via e que amava, e que admirava, imprimindo em suas páginas, o dom através das belas poesias.
Era praticamente um romântico, no espírito e na forma de escrever. Lendo seus poetas preferidos, absorvia das diferentes formas e estilos de cada um, sem plagiar, a excelência do que podia. Então, foi o primeiro poeta paranaense a descrever a beleza de sua terra natal, celebrando as ricas imagens naturais do seu Paraná, em rimas e em métrica rigorosas.
A quem diga que o vate poderia ser comparado a Casimiro de Abreu. Quando contava com seus vinte e cinco anos, era uma flor desabrochada ao sol de Paranaguá, cujo céu o inundava de animação e de genialidade, fadando-o à poesia.
Mais poeta do coração do que da cabeça, exigiu de seu precioso tempo caminhos a um mundo mais platônico, cuja sorte, nunca o deixara gozar, além da perscrutação. Com isso apaixonava-se facilmente pelos versos de Gonçalves Dias e de..... Gonçalves de Magalhães.
Como as nuvens agourentas sempre atravessavam os céus de sua caminhada, ele na ânsia de querer ser alguém, fazia do pouco o imensurável e através de sua letra desenhada e bem definida, repassava no papel os seus poemas, apresentando-os no ambiente em que vivia e gozava de boa reputação. Foi praticamente um autodidata na arte de poetizar o seu sentimento e o seu habitat, assoprando seus versos pelos cantos de sua terra até aonde podia alcançar e de mão em mão, mostrava a sua arte, iniciando assim a sua história.
Era o que podemos chamar de ‘semeadura’. O Poeta semeia seus versos, e o universo se encarrega de proliferá-los. Como a flor, quando o pássaro ou a borboleta sugando o néctar, leva consigo o pólen e semeia a flor em todos os cantos do mundo... Feliz da terra que os recebe!
Em Morretes e em Paranaguá, seus principais portos seguros, é que Fernando Amaro declinava os seus versos, em tardes festivas, que ele próprio organizava. Lia poemas na praça da cidade onde muitos o aplaudiam. Hoje, na normalidade do ser, quem viveria nas condições que Fernando Amaro viveu, e seria o que ele conseguiu ser?
A quem diga que Fernando Amaro era uma pessoa taciturna e amarga, talvez pela vida que passara. Outros já, o contrário, o distinguia como alguém feliz, alegre, comunicativo e muito sociável. Sempre trajado de forma elegante e limpo, chamava atenção de todos.
Como as coisas eram difíceis, e os meios de comunicação poucos, o que podia, ele fazia para divulgar os seus trabalhos, inclusive em Paranaguá e em Curitiba, através de Jornais, Folhetins e Almanaques periódicos, dos quais citam: “Dezenove de Dezembro, “O Sapo”, “O Itiberê” e o “Almanaque da Câmara de Paranaguá”.
O QUE DIZEM DELE:
Assim, alguns escritores e poetas de renome deixaram importantes alusões sobre o poeta paranaense:
Manoel Alves de Paula, pelo falecimento do poeta sublinhou o poeta assim: “De uma inteligência superior e natural, animado pelo gênio e pela pretensão de criar um nome propriamente seu. Inebriando-se nos cadentes versos de Gonçalves Dias, produziu sua ‘Pulsações de sua Alma’- na época ainda não impressa, cantando amores e suas tristezas, o céu, os rios e as palmeiras de sua terra natal”.
Santa Rita Junior: em curioso estudo narra a paixão de Fernando Amaro pela bela Armia (Dona Maria da Luz Santos), respeitável matrona paranaense, que fez pulsar o coração do jovem poeta. Nascido de leu pobre, Fernando Amaro descendia de uma velha e histórica família, que se salientou pelos dons naturais da inteligência, dedicando-se à profissão de guarda-livros, dispondo de excelente caligrafia, o vate parnanguara conseguiu chamar para o seu engenho a atenção dos contemporâneos. “Publicou em 1854, ajudado por alguns amigos o folheto – As Pulsações de Minha Alma, impresso nas oficinas do “Dezenove de Dezembro”, jornal da cidade de Curitiba.
Nestor Vitor: em 1887, relatou sobre Fernando Amaro, que não ignorava a sua amizade íntima com José Vitorino da Silva Azevedo, de quem eu possuo um volume de versos chatos. Volume já dilacerado. “Este José Vitorino foi, em seu tempo, muito acatado aqui pela Província, onde se casou, segundo se infere de uma poesia a ele oferecida pelo nosso Miranda. Era português, segundo consta-me; tinha seu verniz artístico, e foi de certo devido a ele que o Fernando pode ler o Castilho, o Soares dos Passos, o Bulhão Pato e outros que de vez em quando cita. É pouco mais ou menos, o que sei; mas é fácil o caminho para chegar-se adiante. Ele ofereceu versos a José Pinheiro, ao Comendador Alves de Araújo e a outras pessoas que já não vivem mais: mas destes que ainda podem falar, poder-se-ia colher larga notícia e quiçá, o seu retrato:”
“O poeta, em seus versos, queixa-se constantemente de não ter tido estudos, nem convívio que lhe fosse útil, dizendo que escreve “por gosto” e não para” passar por poeta”.
Morreu, Fernando Amaro, como quase todos os bardos – moço – deixando aos pósteros os seus tristes e sentidos versos cheios de tanta mágoa. Nas suas poesias, ele sempre extravasou o que lhe ia na alma insatisfeita; contrariamente à vida que levava na sociedade morretense em que criou, e é só ver o poema Descrença e Crença, para provar a sua melancolia.
Mas, felizmente Paranaguá soube 50 anos depois reconhecer o valor de seu primeiro poeta, lembrando este poemeto:
“Em tempos passados um fogo divino
Senhor desta mente, me deu o trovar.
E agora no peito nasceu-me outro fogo,
Que o gelo da morte só pode apagar!”
PARANAGUÁ, através da Prefeitura Municipal, prestou-lhe significativa homenagem, dando ao mais encantador jardim da cidade (embora sem flores...), o nome de “Praça Fernando Amaro”, consagrando assim a memória do “Pai da Poesia Parnanguara”.
Francisco Negrão afirmou: “Os seus versos relembram os de Casimiro de Abreu, seu contemporâneo e não esqueceram o berço natal – a sua poética Paranaguá a mirar-se no tranqüilo espelho do Taquaré, que a poesia transformou em Itiberê”.
Cantava ele:
Longe da terra natal
Tua Lyra hás de perder,
Noite e dia, por tal perda
Não terás nenhum prazer.
Ah! Minha Lyra querida
Minha Lyra que perdi,
De que me serve esta vida
Se triste passo sem ti.
Fernando Amaro amou e sofreu... Para os poetas, amor e sofrimento são dois termos de uma mesma equação. Causa um efeito – o outro... A sua alma juvenil e ardente, teve, então, a chave da fábula da vida. – a iniciação do sofrimento.
Então, a Castalia do Nhundiaquara, brotada na encosta de verde Morretes do empório comercial da província, inspirou-lhe versos ardentes de amor e de penar.
As mágoas que rebentaram
Que tão cruéis me roubaram,
A cor, o brilho do rosto
Bem ocultai-as, quisera
De quem pior que uma fera,
E ri de alheio desgosto...
Excerto de Silveira Neto, publicado pela Gazeta do Povo em 14/05/1933.
“A 25 de Outubro de 1922, nesta cidade linda e moça Curitiba, deram-me a honra de presidir a sessão preparatória da Academia de Letras do Paraná.
Como já estava determinado para a Academia o número de trinta Cadeiras, era preciso a escolha dos Patronos correspondentes; tomei para a minha o nome de Fernando Amaro, o primeiro poeta paranaense...
Agora, a elevação do éstro alando-se a maiores emoções; à estésias, dessas que transfiguram o nosso círculo visual ante a maravilha memorial de um “tremolo” de florestas, ou de suntuosos poentes de batalha, ou aleluias autorais, ou litanias do luar, ampliando o cérebro e ampliando o mundo. Vemo-lo sem a opulência vocabular de um Herculano, embora, nem a violenta imaginativa de um Álvares de Azevedo; vemo-lo nos versos de ‘Enlevo’, esmerados e muitos de severa beleza, denunciando aspirações poéticas de mais largas amplitudes: -
ENLEVOS – (trecho)
“Manes de Raphael, de Miguel Ângelo,
Perdoai, perdoai se tão ousado
Desse eterno dormir vou perturbar-vos.
Dos esconderijos da morte vos chamando!
Os sudários rasgai, e dos sepulcros que vos servem de leito...
Pressurosas erguei fúnebres lousas,
Sacudi dos pincéis a pá da morte
empunhei-as, trazei, vinde com eles
tomar as tintas finas – as mais puras
e da natura os painéis em vivos quadros
quero por vossas mãos reproduzidos
que venham aumentar as vossas glórias
que decantadas imortais parecem!”...
Eis o nosso bardo, fora dos meios movimentados, sem o conhecimento direto da sua época, em que imperava o romantismo de 1830, Fernando Amaro no modesto âmbito da vila morretense, provou à evidência a força de um ideal, demonstrou o quanto pode a soberania do espírito salvando para o amanhã da refrega dos tempos o seu nome glorificado nas páginas de um livro.
O Paraná já é por si um poema virgiliano, de verões dourados, verões de pêssegos maduros, já o disse, e com tapeçarias rutilas da neve na frigidez hibernal.
E a poesia é a poesia íntima na juventude dos povos. Ela acorda com o primeiro espírito desperto, ao lado da supertição que é a fantasia desvairada. O canto e a dança, a música da palavra e a música do gesto, foram o requinte da expressão na vida primitiva do homem.
Aníbal Ribeiro Filho: Mais uma vez, Paranaguá rende seu tributo e admiração aos seus dois maiores poetas, Julia da Costa e Fernando Amaro:
Fernando Amaro de Miranda tem a sua Certidão de Batismo registrada pelo Secretário da Câmara Municipal, de nome Manuel Antônio de Souza, e datada de 8 de janeiro de 1908, é do teor seguinte: “Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá – Certifico que às folhas cento e oitenta e dois, verso, do livro onze, de assentos de batismo, desta Paróquia, foi batizado e recebeu os Santos Óleos, o inocente Fernando, filho de Antônio Dionísio de Miranda e Ana Rosa, aquele natural do Rio São Francisco, e esta, natura desta Vila. Foram padrinhos: Manuel Gonçalves Marques e Ana Maria Ferreira, todos desta freguesia. Do que fiz assento.
O vigário, João Crisóstomo de Oliveira Salgado Bueno”.
Paranaguá, 15 de novembro de 1831.
Fernando Amaro, cuja vida foi breve, viveu sonhando, sempre a cantar a beleza eterna, em vôos de genialidade. Foi cantor amoroso e suave, inspirado pelo amor de sua Àrmia e pelo apego a sua terra natal.
O Jornal Curitibano, “Dezenove de Dezembro”, publicou sua obra capital: “Pulsações de Minha Alma”, legando às Letras Paranaenses outras obras de real merecimento.
Teve em Ármia a dama dos seus sonhos, a fonte inesgotável de onde fluiu, em arroubos líricos a inspiração, que, em cintilações de gênio, o sangraram o primeiro poeta parnanguara.
Não somente na poesia, mas também no teatro, deixou Fernando Amaro o rastro luminoso de sua inteligência e de sua sensibilidade profundamente humana, legando à posteridade várias peças, entre elas, os dramas: “Ialmar”, “Triunfos dos Agredidos” e “Alboim”.
Breve, emotiva e luminosa foi a vida do cantor parnanguara, nascido na cidade que Leôncio Correa chamou de “Atenas Paranaense”, falecendo em Morretes em 1857, contando apenas com 26 anos de idade.
No Livro número quatro de Registro de óbitos, da Paróquia de Morretes, à folha 107, acha-se documentada a infausta ocorrência nos termos que seguem: “Aos dezesseis dias do mês de novembro de 1857, nesta Paróquia de Nossa Senhora do Porto de Morretes, faleceu, de repente, Fernando Amaro de Miranda, solteiro, natural de Paranaguá, com 26 anos de idade, mais ou menos, sem sacramentos, por morrer repentinamente; foi solenemente encomendado e sepultado em uma catacumba.
Do que faço este assento, o vigário Domingos Leite de Mesquita.
Fernando Amaro vibrara na ânsia dos que vêm para a vida profunda do ser, e soube amar e soube cantar com o enlevo preciso para que seus versos pudessem declarar aos quatro ventos e soprassem em nossos ouvidos e a nossa vida intelectual, o que ele fora como poeta. E não fosse a produção poética nos ter evidenciado nele um temperamento de exceção, como sempre o é de um artista, por mais singelo e distante das nomeadas tenha ele vivido, o seu nome teria submergido na humildade do meio, no exíguo mundo social onde gravitou como em túmulo anônimo.
Ao contrário, porém, a força da inteligência, o calor da sensibilidade, emolduram-lhe o nome na bondosa vaidade com que o rememora a terra de sua mocidade alcandorada que lhe ouviu a euritmia dos versos. Não importa fosse ele obscuro para o resto do mundo, amaram-no muito e o sonho que o fizera um príncipe encantado a procura da bela adormecida na antiga vila morretense, fora tão luminoso qual se o tivera em plena Paris.
Era a estésia de um espírito transfigurado pela atração da beleza.
Raul Faria, poeta: Houve no Paraná, uma fase literária que será sempre inesquecível, bem lhe cabendo a denominação de áurea – fase esta que abrangeu muito especialmente o ano de 1900.
Que dela falem esses verdadeiros cruzados da arte, que, por certo, guardarão até hoje resábios de saudade, esses que viveram de seus enlevos, que ainda vivem entre nós, entre muitos Dario Veloso, Euclides Bandeira, Emiliano Perneta, Nestor Victor, Romário Martins, Silveira Neto e outros.
Foi o tempo em que a literatura se fez quase um culto, em que a terra tão bem fadada da Araucária parecia transformar-se na majestade de uma Arcádia.
O Cenáculo, o Azul, o Sapo, o Breviárium, o Club Curitibano e tantos outros saudosos Arautos daquele viver muito espiritual de então, de uma intelectualidade sadia, vigorosa, afeita aos mais custosos segredos da Arte, marcaram época e, depois, surgiu, bizarra, numa rara fidalguia a “Turris Ebúrnea” publicada sob auspícios da Ordem desse nome.
É aí que se encontra, no seu primeiro número, publicado em novembro de 1900 acompanhando o seu retrato que tem essa legenda:
“Foi quem primeiro despertou em terras paranaenses a orientalesca euritmia dos versos”, traços biográficos de Fernando Amaro “...
Nascido em Paranaguá, como já foi dito, e passando a vida como um real senhor que o era na hoje decaída cidade de Morretes, que representava então o núcleo principal do adiantamento deste belo recanto do Brasil, o vate celebrava a grandeza do Sonho nos violinos da Rima, plantando no seu tempo o mais glorioso marco do espírito da nossa terra “sem as loucuras transcendentais da genialidade, mas inspirado sempre, foi o antigo bardo, nessa paragem meio americana, meio escandinava por onde nem sombras palmilhavam dos sapadores da grande civilização, o eco estesíaco da dor mentalizada e do êxtase maravilhoso de que vivem os levitas da contemplação...
É na palavra eloquente de Silveira Neto, numa conferência realizada aqui, em Curitiba, em 16 de novembro de 1900, na comemoração do aniversário da morte do poeta que devemos, em detalhe de uma perfeita memória o “perfil tão fidalgo e tão sincero do mais antigo bardo da nossa terra”.
Nessa magnífica oração em que palavras pareciam matizes nítidos, fortes coloridos lançados à seleta assistência:
“O nosso bardo não veio temblando os estranhos septicórdios da genialidade, ele não foi o pináculo das escalvadas montanhas do sublime coroadas de loucuras como o Isaías ou de espantos como Sheakespeare, mas teve muito refinamento de nervos para contar as ermitanias da Contemplação, para reter as retinas estesiadas com a púrpura real das nossas matas e dos nossos horizontes para sugestionar-nos toda a estrela d’alva de uma emoção e toda a melancolia de seu perfil”.
Fernando Amaro foi também objetivista, foi descritivo, consagrando estrofes afeleadas de muita saudade às belezas marinhas de sua terra por onde corre o majestoso Itiberê.
Infelizmente não foi possível uma compilação de todos os seus cantos, feliz, julgando-se o “Parnaso Paranaense” em ter já muito, com grandes labores perseverantes, descoberto por aqueles que tão nobre missão trouxe a si tanta coisa que dele foi divulgada. (26.10.1918)
A voz mais longínqua das que vieram até nós, é a de Fernando Amaro, Fernando Amaro de Miranda, - que, nascido por volta de 1831, sobreviveu quatro anos à data da Fundação da província (1853).
Antes dele houve sem dúvida, fermentação de sonho e de poesia sob céus claros do perdido rincão brasileiro que era a antiga 5.a Comarca de S.Paulo. Raul Gomes, o lutador infatigável das causas da inteligência na terra das Araucárias, exigiu certa vez que se fizesse, à custa de apuradas pesquisas em bibliotecas e arquivos, o levantamento total do trabalho do espírito nesse rincão perdido, no transcurso obscuro período de três séculos e que precedeu o nascimento do Paraná. Mas até agora ninguém o fez. E a voz mais longínqua ficou sendo a de Fernando Amaro, cujos cantos só começam a aparecer em letra de forma , em 1854, nas páginas do “Dezenove de Dezembro”, primeiro jornal da província recém-fundada.
Evidentemente de pura veia romântica pelo tempo em que existiu, Fernando Amaro foi um Casimiro de Abreu com menos profunda angelitude de alma e menos profundo frescor de inspiração, mas senhor de maior cultura e de arte refinada do que o poeta de “As Primaveras”.
A canção que vem a seguir, composta quase às vésperas da morte, é exatamente isto que nos sugere:
DESCRENÇA E CRENÇAS
Males pungiam-me a alma,
Na manhã fagueira e calma,
Em que vos fui visitar
Na vossa santa ermidinha
Do Rocio à beira mar.
Ódios, Senhora, eu não tinha;
Mágoas sim, mas não horror,
Daqueles que me feriram
E daqueles que me traíram
Em paga de um puro amor.
Dos homens já nada espero,
Que me foi o mundo fero;
A parca estende-me o véu!
Tristes foram meus amores,
Pobre de mim, Mãe do Céu!
Tende pena destas dores,
Que acerba me foi a sorte.
Se a vida só deu-me pranto,
Enxugai no vosso manto
Meus olhos depois da morte.
Neste poema, dizem alguns, sobre um contraste perfeito. A que atribuir? Dupla personalidade?...Pensamos que não. Talvez (e é o mais provável) que a sociedade local tão cheia de preconceitos não aceitasse um homem como poeta que, além de pouca instrução, não tinha um pomposo nome de família. A própria mocidade não compreendia (ou não queria compreende-lo), zombando de seus versos...
Explica-se isso perfeitamente: Fernando Amaro perdeu seu pai ainda criança, indo morar com sua velha mãe em Morretes, sob a proteção de seu padrinho – Manoel Gonçalves Marques – homem de posses e de grande influência política naquela vila. Assim sendo, lá cresceu e se fez moço sob o calor humano daquela gente boa e amiga.
É claro que Fernando Amaro vinha sempre rever a terra mater que tanto amava. Mas quando sentiu a incompreensão e indiferença de seus conterrâneos, afastou-se guardando no íntimo de sua alam a dor de uma cruel desilusão... (zombavam do poeta que vivia absorto com as “musas”).
Como se sabia, ela havia saído criança de Paranaguá; não criara raízes na terra natal... E nem era de família tradicional... Eis a razão.
E tanto isso pode ser verdade que, só depois de 50 anos de sua morte (passadas três gerações), a sociedade parnanguara (1907) resolveu realizar uma “seção literária” em comemoração ao 50º aniversário de falecimento do “primeiro poeta da terra do Rocio”
Fernando Amaro de Miranda – sendo, nesta ocasião, distribuída uma Poliantéia (coleção de seus versos), como homenagem ao seu primeiro trovador. Assim é a vida...
Ao final, e ao final de sua vida, antes um pouco de morrer, Fernando Amaro escreve um soneto a sua amada...
A ARMIA
Nessa hora fatal em que partiste,
Oh! deidade do céu baixada ao mundo,
Não deste fé do meu pesar profundo,
Não deste fé do quanto estavas triste!
Que culto ao amor votava-se no fundo
Do coração que ao padecer resiste!
Porém, Armia, meu anjo, tu não viste
O mal do bardo de que chama é oriundo.
Nessa hora de acerbo apartamento,
Foi tanto, ó minha Armia, o sofrimento
Que só um “adeus” eu pude articular!
Se lá onde está for um adejo,
Zéfiro brando te roubar um beijo,
Crê que é minha alma que te vai beijar!...
Liamir dos Santos Hauer, ainda, sobre Fernando Amaro, a escritora e historiadora, filha da escritora e poetisa paranaense, também de Paranaguá, Pompília Lopes dos Santos, repassou-me nesta data, um parecer oriundo de suas pesquisas e de coisas aradas, semeadas e escutadas através de seus parentes e de pessoas próximas, e de pessoas de passadas gerações até ao seu ouvido e desse, até este relator.
“O nome de Fernando Amaro me é muito familiar, Desde os cinco anos de idade, quando nossa família foi morar em Paranaguá, esse nome esteve relacionado com carinho e admiração à nossa vida, assim como seus brilhantes e sensíveis versos dos quais aprendi a gostar, mesmo antes de entendê-los. Eram ouvidos por nós seguidas vezes enquanto nossos pais os recitavam empolgados, impostando a voz.
Na Praça Fernando Amaro, em Paranaguá, durante a infância, brincávamos de cabra-cega, amarelinha e esconde-esconde, atrás do coreto ou das palmeiras, enquanto nossos pais conversavam com amigos ou colegas professores do ginásio, sentados nos bancos como se nas próprias casas, curtindo o frescor das noites cálidas.
Fomos crescendo naquele palco, “a mesma praça... os mesmos bancos...”, testemunhas do que ali se desenrolava, desde os fatos mais simples aos de grande importância. A aquela praça, com o nome do primeiro poeta paranaense, que ainda existe e resiste, e é toda ouvidos para as histórias e histórias daquela gente e sempre trazendo à lembrança os retalhos de nossos heróis poetas e testemunhando o desenvolvimento de cada um e de todos e da história daquela cidade,
a primeira do Paraná”.
Somando a tudo isso, através dos pulos da petizada, vinham também as lembranças pela memória de minha família alguns fatos remotos sobre Fernando Amaro.
“Em 1850 o bisavô de mamãe, Jean Michel Sigwalt, veio da França para o Brasil com toda a família, a convite de Alfredo D’Escragnolle Taunay, Presidente da Província do Paraná, que o nomeou Presidente da Sociedade de Migração da Província de Superaguí, como pioneiro da Colônia, Jean Michel instalou ali na primeira usina de álcool e açúcar. Homem muito culto ansiava por um ambiente intelectual, o que não podia encontrar nessas paragens. Felizmente, através de um primo, residente em Paranaguá, Emílio Sigwalt, foi se relacionando com a elite intelectual litorânea. Passou a freqüentar um grupo da maior cultura local, que organizava grandes tertúlias lítero-musicais, no palacete dos Nácar. Ali Jean Michel e esposa foram se relacionando com aquela elite, como Iria Correia – Virgílio Viana, que em louvor a essa exímia artista plástica, lhe ofertou poemas de sua autoria, os quais lia nessas reuniões. Julia da Costa, com muita graça, declamava seus magníficos poemas, além de ser exímia pianista.
Fernando Amaro, moço triste de talento excepcional, declamava de maneira brilhante os mais vigorosos versos de privilegiada inspiração. A voz de veludo vibrou por longo tempo na memória de quantos o ouviram”.
Sobre as Tertúlias Literárias, cujas reuniões meus ancestrais freqüentavam, em Paranaguá, vou citar um comentário extraído da correspondência de minha tetravó, para a sua mãe, na Alsácia-Lorena:
Mãe, imagine o detalhe: saímos da penumbra de Superagui e penetramos na forte iluminação de uma
sala de cidade, onde os lustres de cristal ostentam miríades de velas acesas. Esse grupo de amigos veio nos visitar na Península no dia do meu aniversário e ficaram extasiados pelas paisagens e pelo canavial, que de fato é lindo; aquele verde a perder de vista.
Esse poema de Fernando Amaro fez inspirado na natureza que aqui viu e envio a vocês, pois ele diz tudo e ainda em verso, assim podem ter a idéia daquilo que nos cerca.
E continua minha ancestral:
“O Poeta Fernando Amaro teve breve passagem por esta terra, felizmente ainda a tempo de legar obra de real valor. Era tísico e não apenas por isso era triste. A tristeza do poeta não era apenas pelo mal físico, mas devido à rejeição o seu amor, atribuída a certo racismo. A moça de nome Maria era da família Ricardo dos Santos, mas ele se referia a ela nas poesias como ARMIA, talvez por discrição e são muitos de seus poemas dedicados a ela. Pouco se sabe sobre os fatos, mas eram muitas de suas poesias ele deixa transparente a melancolia de uma alma ferida, quando se refere a diferenças de raças e com grande sensibilidade declara seu amor frustrado. Sua passagem foi efêmera, mas sua obra, duradoura.
A mudança de Paranaguá a Morretes, dizem, que foi como castigo ao menino prodígio, pois o poeta adorava a paisagem marinha, sua fonte de inspiração, como atesta a valiosa e extensa produção de versos enaltecendo o rio Itiberê.
Sentindo a própria mente aprisionada, impedindo que sua inspiração alçasse os costumeiros vôos, durante o tempo em que residiu em Morretes, foi muitas vezes de visita à terra natal, onde costumava ir ao Rocio e cantar ao pé da Santa toda a sua amargura existencial.
“Quase nada se sabe desse poeta que tanto e tão preciosa obra nos legou. Ignora-se como desenvolveu o talento literário, mesmo sobre seus mestres ou orientadores, nem ao mesmo qual seu grau de escolaridade. Sabe-se apenas dos modestos serviços e cargos que ocupara em Morretes e de sua maravilhosa inspiração poética.
Expressa a sensação de estar encurralado entre mortos, saudoso de suas canções inspiradas, como o fez em “Saudades da Pátria”, em 1854, poesia que chegou a mim através de várias gerações e conservo com carinho, da qual transcrevo algumas estrofes inspiradas”.
SOBRE A PRAÇA FERNANDO AMARO:
Hoje, quem passa pela cidade antiga, portuária e progressista Paranaguá mal sabe de como tudo começou e não imagina o que foi aquele logradouro público. Em tempos que vão longe, essa praça não passava de um largo, sem calçamento. Apenas um areal onde armavam os circos que ali chegavam. Estávamos no ano de 1903; em época em que foi instalada a luz elétrica na cidade.
A Prefeitura Municipal, diante de um fato tão importante, resolveu por bem mandar ajardinar a praça, que depois levou o nome de “Praça Fernando Amaro”. Esse trabalho ficou a cargo do Sr. Randolfo Veiga (chefe dos fiscais); um hábil artista em decoração. Seu Randolfo, como conheciam, dirigiu todo o trabalho de terraplanagem e de ajardinamento, preparação dos canteiros, bem como a construção do coreto de madeira, simples e sem cobertura, mas muito bonito, com um poste e uma lâmpada no centro dele. Ficou florida a praça, uma tetéia. Esse trabalho levou quatro anos. Foi inaugurada em 1907, pelo 50º aniversário do falecimento do poeta, na mais justa homenagem.
Paranaguá ficou assim mais florida e com uma feição melhor; dando boa impressão a quem vinha de Curitiba, cuja Estação de ferro estava localizada. A cidade na época tinha poucos recursos; mas há muito que possuía uma sociedade requintada, composta de homens ilustres e esclarecidos, homens de cultura e de educação. E foi devido a esses intelectuais de outrora, formando essa sociedade civilizada e culta, cheia de tantos preconceitos sociais, que Paranaguá recebeu a alcunha de “berço da civilização paranaense”. Hoje, passados tanto tempo, vemos nossa querida “praça” transformada em um belo jardim gramado... muito aprazível mesmo, porém... sem flores!...
E nosso poeta primeiro, em homenagem a sua terra amada e cheio de saudade e mágoa, canta:
SAUDADE DA PÁTRIA
Longe da terra natal
tua lira hás de perder;
noite e dia por tal perda
não terás nenhum prazer.
Oh que triste vaticínio
para mim se tem cumprido,
Da negra sorte os efeitos
Me tem o peito pungidos.
Oh minha lira querida,
Minha lira, que perdi.
De que me serve esta vida
Se triste passo sem ti?
E, pois, o fatal destino,
me arrancou das mãos a lira,
essa que foi companheira
do infeliz que hoje suspira.
Oh, meu Deus, como hei de agora
sem uma lira passar.
Sem ter uma voz amiga
que me venha consolar?
Tenho uma musa, mas ela
não pode harmonia dar
Nem quando o sol vem raiando
Pode trovas inspirar.
Que é feito, pois, das canções,
que entre arroubos entoei,
D’Itiberê sobre a margem
Onde puro amor criei?
Que é feito? Ninguém responde
Pelos meus dotes perdidos.
Por estas canções que agora
Só tenho pranto e gemidos?!
Eram canções inspiradas
Da brisa ao brando rumor,
Eram canções adoradas
Nas asas do meu amor.
Eram canções que expressavam
De Marília a formosura,
Eram canções que afirmavam
Meu amor minha ternura.
Eram canções sugeridas
Pela força do querer.
Tão santo, tão nobre e puro
Que jamais posso esquecer.
A MORTE:
A 16 de novembro de 1857, a terra que lhe alimentava os cânticos viu no poente da noite que o amortalhava aos 26 anos de idade como um doloroso crepúsculo em pleno dia!
Acabaram as Parcas de registrar, no infinito necrológico da humanidade, meia uma morte prematura.
No dia 15 do corrente, faleceu na vila de Morretes, vítima de instantânea congestão cerebral, o nosso patrício e amigo Fernando Amaro de Miranda, cujo funeral teve ontem lugar às 8 horas da manhã. Morreu na casa de um grande amigo, o senhor Vicente Loyola. O sentimento que o levou ao cemitério foi um dos mais grandiosos que aí se tem visto: o luto, o respeito, a pontualidade dos convidados, provas abonavam, neste ato de caridade e religião, que o finado merecia deles ao menos as derradeiras homenagens, esse piedoso respeito. Foi um dos acontecimentos que mais atraiu pessoas na cidade de Morretes. Foi um aglomerado de pessoas dos maiores vistos até esse dia naquela pequena cidade, nada visto antes. Parecia a vinda de um anjo do céu. Mas era apenas a partida de um poeta, do primeiro poeta paranaense que subia ao infinito, para juntar-se a tanto iguais.
SEU ESPÓLIO:
Entre os seus bens arrecadados, incluindo as mercadorias do seu negócio, figuram: Um Parnaso Lusitano (livro de literatura portuguesa), uma Mitologia, uma arte poética, um livro dos amores, duas revistas mensais (Acayaba), um livro de ciências, cinco livros escritos contendo obras do mesmo, com poesias (Pulsações de Minha Alma) e de um drama em quatro atos e um quadro (Triunfo dos agredidos), foi avaliado por 20$000 e arrematado em praça pública por 51$000 por Antonio Luiz Gomes, o velho rábula que aqui havia, conhecido pela alcunha de Manêta. Seu espólio montou em 2.254$480 (dois contos duzentos e cinqüenta e quatro mil e quatrocentos e oitenta réis).
E o coreto da praça Fernando Amaro muito viu e ouviu..., muitos deixaram enlevar-se pelo tempo e embalar-se nas lembranças; muitas retretas devem ter passado por suas formas antigas e saudosas tocando canções da terra e dos corações; muitas crianças pularam suas grades – gritaram folguedos; muitos casais disseram coisas de amor e de paixão como, por certo, o poeta Fernando Amaro gostaria de dizer a sua Armia...
Este é o Coreto da Praça que leva o nome do imortal Fernando Amaro, localizada bem no centro de Paranaguá/Paraná/Brasil
CONTEMPORANEIDADE
No Brasil:
Na mesma época em que viveu Fernando Amaro, sucederam fatos interessantes que
ficaram gravados na história:
1831 – Abdicação de D.Pedro I – Constituição da Regência da Trina Provisória - Eleição da Trina Permanente.
1832 – Criação das faculdades nacionais de medicina no Rio de Janeiro e na Bahia – Promulgação do Código Processual Penal.
1834 – Morre D.Pedro I, em Lisboa.
1835 – Regência Uma com eleição do Padre Diogo Antonio Feijó – Início da Guerra dos Farrapos.
1840 – D.Pedro II torna-se o Imperador do Brasil por 49 anos, com o golpe da maioridade, quando ele tinha apenas 14 anos de idade.
1850 – Pela Lei Eusébio de Queirós fica proibido o tráfico de escravos.
1851 – Guerra do Prata.
1852 – Inauguração das primeiras linhas de telégrafo no Brasil – Barão de Mauá funda a Cia. De Navegação a vapor do Amazonas.
1854 – Fundação da primeira ferrovia brasileira pelo Barão de Mauá.
1856 – Construção da primeira estrada pavimentada do Brasil ligando Petrópolis a Juiz de Fora.
Nas Artes:
Nos anos em que Fernando Amaro viveu, passaram alguns dos muitos compositores universais: Chopin, Schumann, Liszt, Gounod, Brahms, Tchaikovsky, Johann Strauss II, Mendelssohn, Berlioz...
Entre 1830 e 1860 a música clássica e a literatura viviam o seu Romantismo.
Na Literatura:
Viveram nessa época: Oscar Wilde (inglês), Èmile Zola (francês), Julio Verne (Francês), Mark Twain (americano), Leon Tostoi (russo), Antero de Quental (português), Eça de Queiroz (português), Charles Baudelaire (francês) e outros.
No Brasil: O movimento Romântico brasileiro já se esboça em 1830, ma só se firma nas décadas de 50 e 60. Seus traços principais são o desejo exaltado de exprimir as peculiaridades do país levando não somente ‘a descrição entusiasmada da natureza, mas também ao interesse pela história, usos e costumes de cada região e os aspectos mais individuais da vida afetiva, através de processos literários que entram em voga na Europa.
Nosso primeiro autor romântico foi Domingos Gonçalves de Magalhães, seguido de Gonçalves Dias, brasileiros que usaram da melancolia desalentada, fusão de sentimentos na paisagem e no indianismo, espécie de declaração simbólica da maioridade nacional.
Contemporâneos de Fernando Amaro de Miranda: Souzândrade, Gonçalves Dias, Castro Alves, Bernardo Guimarães, Laurindo Rabelo, Álvares de Azevedo, José de Alencar, Casimiro de Abreu, Machado de Assis...
Nos Inventos:
Alguns inventos no mundo aconteceram nesse período: 1831, o Dínamo (ingl.) Transformador (ingl.), campainha elétrica (Usa), - 1833: Turbina hidráulica (fr.) – 1835 Fotografia (ing.) – 1837 Carabina (Alem. – 1839 Locomotiva via estrada de ferro (Usa) – Telégrafo elétrico
(ingl.) – 1840 Selo para correios (Ingl.) – 1843 Cigarro (Fr.) 1844, Anestésicos (Usa) – 1846 Nitroglicerina (it.) 1849 Limpeza ‘a seco ( Fr.) – 1850 Refrigeração (Austrália) – 1852 Dirigível (Fr.) – 1853 Seringa Hipodérmica ( Fr.) – 1855 Iluminação Pública (Fr.) e 1857 Torre de perfuração de petróleo ( Alem.)
População da época:
O Brasil tinha nessa época 8.700.000 habitantes.
Os Estados mais populosos eram: Minas Gerais com 2.019.000 hab. – Bahia com 1.245.000 hab. –
Rio de Janeiro com 1.017.000 hab. – e São Paulo com 808.000 hab.
O Paraná que ainda era província de S.Paulo possua apenas 11.000 hab. E ficava em 17º entre os Estados brasileiros.
Curitiba, em 5 de fevereiro de 1842 foi elevada ‘a categoria de cidade, e somente em 19 de dezembro de 1853, o Paraná deixava de ser a 5º Comarca de São Paulo para tornar-se uma Província com governo próprio.
Em 1854 contava com 30 lampiões de iluminação pública, alimentados por azeite de peixe – com 308 casas e 5.819 habitantes e foi oficialmente elevada à capital da Província do Paraná, quando o Presidente era Zacarias de Góis e Vasconcelos.
Observações Gerais:
Significados contidos no texto:
Alcandorada: colocar-se ao alto / Afeleadas: dar fel – amargar como fel / Deidade: divindade – deusa – mulher formosa / Éstro: entusiasmo artístico – veio – gênio – inspiração / Estesias: percepção sensorial – sentimento do belo / Escalvadas: calva – que não tem vegetação / Inefável: indisível – que não pode exprimir por palavras / Litanias: ladainha - algo erudito / Manes: alma dos mortos – divindades / Parca: morte no sentido figurado – cada uma das três deusas que fiavam, dobravam e cortavam o fio da vida./
Perscrutação: averiguação minuciosa – sondagem – investigação / Rutila: brilho – resplendor /
Rapsodo: poeta que sai cantando poemas épicos / Ressábios: ressentimentos – manha – desgosto / Septicórdio – sétima corda / Zéfiro: vento suave – brisa – vento oriental dos gregos
EPÍLOGO:
E a história continua contando histórias, e em cada uma delas tempestades e bonanças acontecem, e o zéfiro nos traz a cada momento pelo seu roçar momentos fugidios e momentos perenes. Assim o auge de mais uma história faz do efêmero o eterno. Assim acontece mais um final de um efêmero e o nascer do eterno, do imortal de um poeta que fez da sua difícil semeadura o perfume de seu eterno caminho. Dele pouco se foi..., apenas a sua alma triste e desejosa de muito fazer, fazer e amar. Dele ficou a poesia, marcando a sua tão breve estadia na terra dos homens, marcada pelo ontem, pelo hoje, pelo amanhã e pelo sempre...
Bibliografia:
Biografia e Antologia Fernando Amaro de Miranda (Paulo Roberto Karan) Centro de Letras do Paraná
Liamir dos Santos Hauer – Historiadora – Instituto Histórico e Geográfico do Paraná -
Maria Nicolas – Almas das Ruas (Biblioteca Pública do Paraná)
O Itiberê – Biblioteca Publ.Paraná -
Gazeta do Povo – 14/05/1933 (Biblioteca Publ.Pr.)
Fernando Amaro de Miranda, por Manuel Viana –
Terra e Gente do Paraná: 1944 – Romário Martins (Bibl.P. Pr.)
Vultos Paranaenses – Maria Nicolas – 1944 (Bibliot. Pub Pr.)
Aníbal Ribeiro Filho – (gentilmente agraciado por um grande amigo, Luis Sérgio Braga.)
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Agradecimentos do autor:
A DEUS, O Criador de tudo.
Aos meus ancestrais que repassaram pela genética as suas prodigiosas sementes da herança.
A Minha família que de certa forma é uma das razões de viver, em especial à minha pequena neta e madrinha (Giovanna Walbach de Assis) na posse da cadeira 29, cujo patrono foi este grande poeta paranaense, Fernando Amaro (21 de outubro de 2008).
Ao dom e a minha essência...
Ao Centro de Letras do Paraná, que na pessoa de seu magnífico Presidente,
Desembargador Luis Renato Pedroso, na sua dignidade e amor à cultura faz
sabiamente desta casa o Templo de todos nós pelo caminho das Letras...
Academia Paranaense da Poesia, Presidida pela querida mestra Roza de Oliveira
que juntamente com a sua Diretoria, me oportunizou a posse da Cadeira magnífica de
Fernando Amaro.
Amigos que fazem o elo entre o pessoal, o respeito, o carinho e as artes.
Este estudo deve ter a continuação daqueles que fazem da arte e da cultura um objetivo de vida...
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*Paulo Roberto Walbach Prestes/1945
Poeta Paranaense de Curitiba, do Centro de Letras do Paraná
Ocupante da Cadeira 29, da Academia Paranaense da Poesia,
cujo Patrono é Fernando Amaro de Miranda