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Crime na Feira do Livro, de Tailor Diniz

AUTOR: Tailor Diniz
OBRA: Crime na Feira do Livro
SINOPSE DO LIVRO:

Crime na Feira do Livro, de Tailor Diniz

Um crime assusta os frequentadores da Feira do Livro de Porto Alegre: um conhecido “garimpador” de livros raros é morto a tiros momentos após a abertura. De suas mãos desaparece um exemplar misterioso, trocado por outro, segundos após o crime.

Com o caso entregue a uma delegada sensual, porém suspeita, e a partir da entrada na história da integrante de uma estranha confraria sediada no Bairro Bom Fim, o detetive Walter Jacquet não vê outra alternativa e resolve investigar o assassinato.

A partir dessa decisão, segue por entre cenários culturais porto-alegrenses, e se envolve com personagens reais e fictícios em busca da verdade escondida – literalmente – nas entrelinhas e ruas da cidade.

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Esta é uma novela para se ler em Porto Alegre ou, ao menos, tendo na retina suas ruas, a paisagem do Guaíba e, sobretudo, dos jacarandás da Feira do Livro.

Mas também é uma novela pra quem gosta de livros – policiais ou não – que mantêm o leitor suspenso ao labirinto envolvente da trama. Há aqui três ingredientes básicos em torno de um mistério, digamos, literário: diálogos entre comida e bebida (em generosas proporções), a figura da mulher sensual e intimidadora e o gosto pela racionalidade investigativa.

Em meio à crise econômica que abalou o mundo em 2008, o detetive Walter Jacquet e seu escudeiro João Macedônio (interlocutor típico dos detetives e que faz lembrar a paternidade simbólica de Macedónio Fernández sobre Borges), quase testemunham um crime ocorrido nas imediações da Praça da Alfândega, durante a Feira do Livro de Porto Alegre. Adavilson, um conhecido livreiro, é assassinado por um homem mascarado, e o livro que a vítima levava na mão é misteriosamente trocado por outro. Tecem-se aí as linhas mestras de uma narrativa envolvente, ágil e muito bem humorada. O humor, por sinal, é o tempero pessoal de Tailor nesta trajetória de Jacquet em busca do desvendamento do crime, passando pela misteriosa Confraria do Acaso e suas figuras bizarras, no Bom Fim, e pelas considerações acerca da sensualíssima delegada Florença Flores, mulher de um incisivo superior cruzado – coisa rara nas mulheres ortodônticas de hoje! – e que leva no bolso do tailleur um Colt .45!

Entre comilanças – e as comidas são tantas! –, no alto do edifício Esplanada, divisa dos bairros Independência com Moinhos de Vento, os dois amigos, ao sabor de aperitivos, charutos e boa música, resolvem participar da investigação pelo gosto puro da aventura racional.

Um final marcante, um livro raro encontrado e um prato pessoal de Jacquet aguardam o leitor. E tudo numa primavera em Porto Alegre. Enfim, é de se abrir o livro para perceber que Tailor Diniz renova os temperos e inclui justificadamente o seu nome na receita.

Altair Martins