(De modo a que o leitor possa se aproximar mais dos escritores paranaenses, colocarei aqui nos Escritores do Sul contos ou poesias destes, com uma pequena biografia do escritor.)
por José Feldman
Conheço muitos escritores de qualidade, com textos de respeito, que não possuem recursos financeiros para publicarem seus livros, inclusive podemos perceber isto pela enorme quantidade de escritores que se utilizam da internet para divulgar seus textos, às vezes buscando um patrocinador para seus livros.
Existem também escritores que publicam seus livros em gráficas ou mesmo em seu computador, a denominada Edição do Autor, que aparece antes do ano de publicação. Infelizmente, por serem escritores desconhecidos ou sem expressão alguma no meio cultural, não possuem a devida divulgação de seus livros nos veículos de propaganda, sendo obrigados a se utilizar da internet, boca-a-boca ou porta em porta.
Átila José Borges (O Dia em que os Ases da Esquadrilha da Fumaça Aterrisaram sem seus Aviões!)
Eu e meu irmão Ayrton possuíamos dois minúsculos carrinhos da marca Fiat, batizados na Itália de Topolino 500 (ratinho).
O do Ayrton, pintado de branco, era alcunhado pelo nome feminino de Susy.
O meu era conversível pintado de vermelho e era chamado carinhosamente de “Bolinha”.
Eram carros frágeis, com motorzinhos também fracos. Foram praticamente produzidos para acomodarem o motorista e um carona... Com muita boa vontade poderiam levar um passageiro na parte traseira. Embora limitadíssimos, eram para nós, como se fossem Mercedes Benz nanicas.
Certa feita recebemos em nosso programa, seis ases da Esquadrilha da Fumaça para uma entrevista. Foi um sucesso! Após o programa e almejando sermos gentis com, os nosso entrevistados, educadamente oferecemos nossos “carrões” para leva-los até o hotel onde estavam hospedados. Não esperávamos uma pronta e sonora afirmativa em alto bom tom...Toparam de imediato!
Curitiba havia assistido ao espetacular show promovido pelos nossos brilhantes ases. O público presente ao espetáculo e os telespectadores que acompanharam “ao vivo”, não cansaram de aplaudir os “heróis” da FAB.
Passamos então a acomodar os nossos ilustres caronas. A “Susy” aceitou milagrosamente três deles, naturalmente os de estatura mais baixa. Einstein explica...
Sobrou para o “Bolinha” levar os outros três, altões. Justifica-se: como o meu carro era conversível e os grandões foram acomodados (?) nele, naturalmente com muito esforço. Espreme daqui, espreme dali e na falta de uma calçadeira gigante, usamos o critério e a técnica de acomodação usada em lata de sardinha... Depois de muito aperto estavam prontos para a “missão”...
É importante ressaltar que todos os componentes da Esquadrilha da Fumaça usavam seus vistosos macacões de voo.
O estúdio do Canal 12 era na Rua José Loureiro e o pátio de estacionamento ficava a sua frente. O pátio tinha um declive que auxiliou sobremaneira a nossa “decolagem”.
A saída para a rua exigia uma “curva direita” em virtude do sentido do trânsito. E lá fomos nós. Inegavelmente o comboio era de chamar a atenção. Era um espetáculo inusitado, fora das câmaras.
O Ayrton conseguiu fazer a curva de saída, mas o meu “Bolinha” não agüentou o esforço e literalmente derreou... A suspensão chocou-se com o chão e os passageiros foram catapultados (expressão em homenagem aos irmãos Wright), para fora do carro.
Três ases da Esquadrilha aterraram na calçada da José Loureiro, em uma acrobacia que eu peço que não me perguntem qual o nome.
Um dos pilotos caiu com a cabeça no chão produzindo um corte em seu rosto.
Refeito do susto e sacudindo o pó do macacão, o “ferido” no pouso, não se conteve, soltou um palavrão e exclamou:
- Já fiz centenas de demonstrações por todo o Brasil... Igual a essa, nunca!
Os “pousos” acabaram em gostosas gargalhadas ouvidas pelos circunstantes que se aglomeraram ao redor dos ases, acredite: até para pedir autógrafo!
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Obs: o programa chamava-se Entre Nuvens e Estrelas, produzido pela TV Paranaense, Canal 12, esteve no ar por 20 anos.
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Átila José Borges nasceu em 28/02/1936, na cidade de Porto União/SC. Licenciado em Ciências pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Bacharel em ciências econômicas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná. Oficial Especialista em Comunicações pela Escola de Oficiais Especialistas da Aeronáutica. Licenciado em Estatística Superior pelo Ministério da Educação e Cultura.
Foi oficial da Força Aérea Brasileira, professor da Universidade Federal do Paraná, do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, da Fundação de Estudos Sociais do Paraná e instrutor da Força Aérea Brasileira. Jornalista e Relações Públicas.
Tem trabalhos publicados no Brasil, Estados Unidos da América, Portugal, Argentina, Paraguai e breve na China. É autor de nove trabalhos técnicos editados e distribuídos pela Encyclopaedia Britannica do Brasil e Barsa Society além da Editora Três, Laboratório Ache do Brasil, entre outros.
Átila foi criador, fundador e Diretor do Museu Museu Entre Nuvens e Estrelas, inaugurado pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, que ficou em exposição no Aeroporto Afonso Pena por mais de cinco anos.
Autor de:
- Memórias De Um Guri Em Tempo De Guerra.
- No Pico Do Diabo.
- As Mais 100 Belas Mensagens.
- Mais De 700 Pensamentos Preferidos.
- Peludos X Pelados – A Guerra Do Contestado
- Emoções, Eu Vivi....
- A Menina e o General
Peça Teatral Infantil
– Um Menino Entre Nuvens E Estrelas.
Produziu e apresentou por mais de VINTE ANOS, na TV Paranaense Canal 12 o programa Entre Nuvens e Estrelas (em prol da aviação) e foi colunista da Gazeta do Povo, também por MAIS DE VINTE anos
Fontes:
BORGES, Átila José. Emoções eu vivi... Curitiba: Ed. do Autor, 2008.
Biografia por Vânia Maria Souza Ennes
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Escritores & Escritores
por José Feldman*
Com toda esta ausência de recursos, estes livros tem um destino único: os sebos, que vendem-nos a preços irrisórios.
Lembro-me em São Paulo, perto da Biblioteca Municipal, no calçadão da Rua Marconi, havia uma banca de livros que se você comprasse um certo valor em livros ou revistas, poderia escolher gratuitamente um ou dois livros de uma banca que possuía uma grande quantidade de escritores sem participação no meio literário. Na época eu fazia o curso Ficção Científica na Literatura e no Cinema, e nesta banca encontrei livros de colegas que participavam deste curso. Pior de tudo, são textos que nada ficam a dever a muitos destes escritores de renome, como Phillip K. Dick, Veríssimo (Luis e Érico), Manuel Bandeira, etc.
Se tiverem sorte e um dos “famosos” gostar de seus textos obtidos muito por acaso, ou uma editora se interessar, então seu caminho está traçado sempre para cima. Se não, como outros tantos, estará na batalha por um espaço que cada vez mais se restringe a um universo menor, até que aposente suas canetas, ou seu teclado e se dedique a alguma profissão que não tem nada a ver com literatura.
Sempre procuramos classificar escritores de qualidade e escritores medíocres. Um amigo escritor me disse uma vez “não existem livros de baixa qualidade, existem sim leitores medíocres, então esta literatura “de baixa qualidade” é destinada a estes tipos de leitores. Enfim, existe literatura para todos os gostos”.
O que é bom ou o que é ruim? Fica difícil definir, tudo vai depender de nossos momentos na hora da leitura de um livro. Machado de Assis é o supra-sumo da literatura, mas tem certas fases da vida que passei, que para mim foi “um saco”. Assim como só para testar, sem mencionar os autores, apresentei um conto de Artur de Azevedo e um conto de um escritor de São Paulo, não recordo o nome, mas não era conhecido. A pessoa que os leu era um erudito, conhecedor de literatura, e classificou o conto de Artur como bonzinho, mas sem fleuma, e do outro escritor como um conto vibrante que prende a atenção.
Aí está! Às vezes nos prendemos em nomes, independente da qualidade do texto, mas quando é um texto sem saber a autoria, a nossa visão se modifica completamente.
Quem perde com isto? É o escritor que surge do nada, claro. Mas, o panorama literário nacional é o maior perdedor. Precisava haver uma virada nisto, mas isto envolve recursos para investir em cultura, então isto é uma outra história.
José Feldman (1954), é Presidente Estadual pelo Paraná, da Academia de Letras do Brasil, Consul de Poetas del Mundo, Diretor da Associação dos Literatos de Ubiratã, membro da Ordem Nacional dos Escritores. Possui o site: singrandohorizontes.blogspot.com . Publicado 3 e-books, 13 e-boletins literários e 4 e-revistas O Voo da Gralha Azul. Participação em antologias poéticas e de trovas. Contatos podem ser efetuados em pavilhaoliterario@gmail.com
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Paranaense recebe título de Presidente Nacional da União Hispanoamericana de Escritores
por José Feldman*
O Primeiro Congresso Universal de Poesia Hispanoamericana realizou-se na cidade de Tijuana, no México, contando com a participação de cerca de 100 escritores nacionais, locais e de 15 países participantes.
A inauguração foi celebrada no pátio central do Palácio Municipal, com a presença da diretora do Instituto Nacional de Bellas Artes (INBA), Teresa Vicencio, e 40 poetas locais e 60 extrangeiros e do país.
O Congresso realizou-se de 8 a 14 de agosto deste ano pela Instituição Manuel Leyva, o Ayuntamiento de Tijuana e o governo de Baja California, no marco do Centenário da Revolução Mexicana e do Bicentenário da Independência do México.
Além de atividades artístico culturais, no encontro houve mesas redondas, apresentação de livros, leitura de poesia e, no final, a premiação dos I Jogos Florais da CUPHI, no qual participaram todos os poetas do mundo com textos escritos em língua espanhola, clássicos ou livre, de trinta linhas no mínimo e no máximo quarenta versos, cujo tema foi "Canto a la libertad". Aos três primeiros colocados (sendo um nacional e um estrangeiro em cada colocação) foram entregues diplomas e troféus de ouro, prata e bronze, respectivamente.
Os troféus foram esculpidos em bronze pelo escultor internacional Guillermo Castaño.
A Comissão Julgadora foi composta de pessoas independentes da CUPHI, integrado por reitores e/ou catedráticos reconhecidos de três centros universitários de Tijuana.
Segundo as palavras de Jorge Ramos Hernández, Presidente Municipal de Tijuana “Estou convencido de que a poesia é o mais vigoroso instrumento do Homem para transmitir ideais e sentimentos de geração a geração e para resgatar do esquecido, o patrimônio histórico e cultural da raça humana. Sem mais, e na qualidade de presidente municipal, me sinto distinguido e orgulhoso de poder compartilhar com todos vocês, o pão, o sal e a palavra feito poesia este verão”.
Durante a realização do evento foi reconhecido o valor da obra literária do laureado poeta peruano Carlos Garrido Chalén, Prêmio Mundial de Literatura "Andrés Bello" 2009 de Venezuela; e concordaram através da Sociedad Internacional de Poetas, Escritores y Artistas (SIPEA), com sede no México, propor-lo ao Prêmio de Literatura "Miguel de Cervantes" 2010, de Espanha, prêmio que se outorga aos escritores hispanoamericanos que mais tenham contribuído con sua obra de modo a fortalecer o acervo da língua castelhana.
Carlos Garrido Chalén, que se encontra atualmente no México, é autor de obras publicadas nos gêneros de poesía, novela, conto e ensaio. O Instituto Nacional de Cultura (INC) do Perú lhe outorgou em 1997 a distinção "Patrimonio Cultural Vivo de la Nación".
Chalén é presidente fundador da União Hispanoamericana de Escritores - UHE, entidade criada em 16 de junho de 1992, na cidade de Trujillo, Perú, sendo alguns de seus objetivos:
.
– Buscar com empresas corporativas, apoio, divulgação, auxílio, amizade e cooperação recíproca com os escritores mais qualificados hispanoamericanos, para promover a criação de uma poderosa corrente intelectual de integração americana e mundial.
– Proteger os direitos autorais dos seus membros, através da institucionalização de um orgão fiscalizador que, com a devida autorização, defenda os interesses do escritor.
– Contribuir para a criação de condições favoráveis para a utilização integral dos intelectuais latino-americanos em potencial, em todos os níveis, a defender a criação de incentivos para aumentar as contribuições financeiras privadas para os escritores.
– Capacitar seus membros e mantê-los informados sobre as questões que têm relevância para seus fins, promovendo o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos mesmos, através de seminários, fóruns, mesas-redondas, simpósios e outros eventos que estão previstos para esse efeito, para a qual se buscará obter a isenção para o transporte, bolsas de estudo e outras facilidades.
– Contribuir para a qualidade de vida dos escritores e dos afiliados à profissionalização e especialização.
– Publicar uma revista especializada para divulgar periodicamnte a obra de seus membros, que será distribuída em todos os países hispanoamericanos e a todo o mundo.
– Trabalhar diretamente com as principais Universidades públicas ou privadas hispanoamericanas, em beneficio de seus membros.
– A UHE não tem fins políticos, nem apoia país algum. Trabalha pela literatura, a paz e os escritores do mundo.
INDICAÇÃO DE DINAIR LEITE PELO PRESIDENTE CHALÉN
A poetisa paranaense, de Paranavaí, Dinair Leite, Imortal da Academia de Letras do Brasil/Paraná esteve presente neste seleto grupo internacional, tendo a honra de indicar o nome de Chalén para o Premio Nobel de Literatura, de 2011.
Indicação consequente dos inquestionáveis méritos de Chalén, além de ser considerado como " uma das raras gemas preciosas que aparecem a cada certo tempo na história humana" na voz de Ernesto Kahan, Prêmio Nobel da Paz, que desde 2008 respalda a candidatura do escritor.
Na ocasião, Chalén, nomeou Dinair Presidente Nacional da UHE no Brasil.
Dinair Gomes de C. Leite nasceu em Sertãozinho (SP). Trovadora, poeta, dramaturga e atriz, atuante em movimentos culturais (SP-RJ-PR).
Integrou o cast pioneiro de rádio-teatro do norte do Paraná (Rádio Paiquerê – Londrina). Atuou na extinta TV Continental (RJ).
Reside em Paranavaí, onde é coordenadora da Câmara de Literatura do Fórum Anual de Cultura e conselheira do Projeto Clave de Luz da Fundação Cultural. Atua no Fórum de Desenvolvimento de Paranavaí e também é membro da Câmara Técnica de Educação do Conselho de Desenvolvimento de Paranavaí (CODEP). Presidente Fundadora e Governadora do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais (InBrasCI) no Paraná, Delegada do Movimento Poético Nacional em Paranavaí, fundado em 1976 (SP). Delegada da União Brasileira de Trovadores – UBT, em Paranavaí. Possui seis livros inéditos de poesias e um de trovas e haicais, e sua obra é divulgada em saraus e confrarias em Paranavaí, São Paulo, Rio de Janeiro. É membro fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí, ocupa a cadeira nº 11, e é relações públicas e oradora oficial da casa cultural. Cadeira numero 11 da Academia de Letras do Brasil/Paraná.
Dinair declara: “Divido com vocês este momento especial, contando com o Poder Superior para me fazer desempenhar este papel à altura e honrar as expectativas de tão nobres companheiros que distinguiram o nosso Brasil e minha humilde pessoa para compartilhar este caminho.
E agradeço de modo especial ao Movimento Poético Nacional, sediado em São Paulo e presidido pelo estimado Dr. Válter Argento, creditando esta abençoada conquista principalmente aos trabalhos, encaminhamento, orientação e acolhimento dos saudosos baluartes do MPN, minha primeira Casa Cultural, poetas Dr. Silva Barreto, Sylvya Reys e especialmente Jacintha Karelisky.
Dedico esta poesia ao Comite Organizador do Congreso Universal de Poesia Hispanoamericana (CUPHI) e a todos os participantes do magno evento
ODE AO CUPHI!
Chorei...chorei com a dor
da tristonha despedida,
de um povo que é puro amor,
num país que vibra vida!
Viva emoção o meu peito
preencheu... e quase explodiu!
Mas meu coração com jeito,
vibrou no peito...e sorriu!
CUPHI foi iluminado
por corações varonis
bebendo seu mel sagrado
espargido em mil barris...
Tom certo, com maestria,
MANUEL LEYVA ofertava
noite a dentro e pelo dia,
glorioso ele brilhava!
MARTÍNEZ , sua família,
honrados agradecemos
o saber vivo em vigília
que tão felizes bebemos
Família culta e unida
com sua equipe gentil
que em transparência luzida
acolheu nosso BRASIL!!!
Tantos poetas eu vi
a receber e doar
buquês...e com frenesi
a Liberdade cantar!
Escritores também vi,
chegarem de tantas partes,
com mesmo ideal dali,
abraçando irmãos em artes...
Tijuana! És tão linda...
e abrigastes com afeto
poetas,canções infindas,
em teu coração dileto...
Para ti hei de voltar
um dia se Deus quiser!
Com teu povo eu hei de orar
à Virgem Santa e mulher...
Senhora Guadalupana!
Que tanto me comoveu...
fêz-me sentir mexicana
pela fé que me envolveu...
Vivi doce experiência
com um cultor envolvente
que impôs a sua gerência
feito um correr de nascente!
Maestro LEYVA! Meus vivas!
Pelo CUPHI eu te bendigo:
- Sempre a Liberdade avivas!
Que a Paz esteja contigo!
TIJUANA foi celeiro
de Grãos de Milho de porte!
Foi um útero-viveiro,
foi nosso ninho e suporte!
Poetas Del Mundo eu choro
a dor....saudade sem fim,
de um choro bom e sonoro:
MÉXICO! Lembra de mim!
*José Feldman (1954), é Presidente Estadual pelo Paraná, da Academia de Letras do Brasil, Consul de Poetas del Mundo, Diretor da Associação dos Literatos de Ubiratã, membro da Ordem Nacional dos Escritores. Possui o site: singrandohorizontes.blogspot.com . Publicado 2 e-books, 13 e-boletins literários e 4 e-revistas O Voo da Gralha Azul. Participação em antologias poéticas e de trovas. Contatos podem ser efetuados em pavilhaoliterario@gmail.com
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* A História Viva de Nossa Literatura Esquecida em Curitiba
Paraná em Trovas, de Vânia Maria Souza Ennes (setembro/2010)
por José Feldman
Em 19 de junho de 2010, em um jantar integrante das festividades dos Jogos Florais de Curitiba, a presidente da União Brasileira dos Trovadores do Paraná, Vãnia Maria Souza Ennes realizou uma noite de autógrafos, ao lançar o seu livro Paraná em trovas, em sua 3a. edição, ocasião esta que tive a honra de conhecer pessoalmente esta trovadora, plagiando a definição do irmão trovador maringaense Assis, "encantadora".
Encantada olho os pinheiros,
Formosos! Iguais? não há.
Dos poetas são os parceiros
que versam o Paraná.
(VÃNIA M. S. ENNES)
Vânia Ennes, filha do Paraná, como uma regente que comanda a sua orquestra, sob o movimento de sua batuta faz com que nos embriaguemos em instantes de pura emoção. Através das trovas contidas no livro vivemos os acordes dos noturnos de Chopin, a Pastoral de Beethoven, a Cavalgada das Valquírias de Wagner, a Marcha Triunfal, da Aída, de Verdi. Sejam nas trovas, ou mesmo em textos de sua lavratura, podemos sentir a beleza que há no mundo que nos rodeia. Sempre otimista, essas trovas são o nascer do sol em toda a sua magnitude, o cantar dos passarinhos ao despontar da aurora, é o dia morno a nos aquecer o coração, é o final da tarde quando muitos de nós após um dia intenso de trabalho nos sentamos na varanda a saborear um tererê ou chimarrão. É a noite, não a escuridão, não a tristeza que muitos buscam nela, mas uma noite onde ela descortina uma lua brilhante envolvida por um véu de estrelas.
Quando sopra o vento sul,
a trova viaja e vai fundo.
Seu caminho é o céu azul…
Espalha-se pelo mundo!
(VÂNIA M. S. ENNES)
Paraná em trovas é um livro, onde esta fantástica trovadora reune trovadores paranaenses que deixam a sua marca no livro da história de nossa literatura tão vasta. Por seu intermédio mostra que neste estado verdejante, de terra vermelha, existe um povo que sabe cantar os seus momentos de emoção, com todo sentimento que pode ser contido em uma trovinha de quatro versos setessilábica.
Vem trovador, vem correndo,
ao meu Paraná, porque
O Pinheiro está morrendo…
De saudades de você…
NEIDE ROCHA PORTUGAL (Bandeirantes)
Ao Paraná, imagino,
dentro da graça altaneira,
o pinheiro é como o Hino
ou como a própria Bandeira.
FERNANDO VASCONCELLOS (Ponta Grossa)
Mas, Vânia não pára por aí. Seu livro é uma Arca de Noé que carrega todos que estão em seu caminho, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, etc. e mesmo outros países como Estados Unidos, Portugal, Panamá, México, e outros, famosos e nem tão famosos.
Como já dizia a poetisa norte-americana Emily Dickinson (1830-1886) “Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes”, e Vânia comanda esta fragata por este Brasil imenso levando os trovadores nesta viagem e trazendo até nós toda esta paisagem exuberante, vencendo fronteiras nacionais e internacionais, carregando a bandeira desfraldada da Trova “por mares nunca dantes navegados”.
O livro possui em seu bojo cerca de 400 trovas. Trovadores do Paraná, de outros Estados do Brasil, de outros Países e de trovadores já falecidos que imortalizam as suas trovas nesta obra. Nomes do quilate de, além da autora, Antonio Augusto de Assis, Amália Max, Dinair Leite, Gerson Cesar Souza, José Westphalen Corrêa, Lairton Trovão de Andrade, Fernando Pessoa, Carlos Drummond, Mario Quintana, José Ouverney, Glédis Tissot, entre tantos outros.
Como ela mesma diz “saber viver é saber quebrar as durezas normais da existência, ao conseguir enxergá-las com os olhos da alma e da serenidade de espírito.” É assim que é Vânia, tranquila cativando com seu sorriso a todos que estão em seu caminho. É a voz de nosso querido Paraná, é a voz do Brasil.
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A seguir algumas das trovas de seu livro
Que a amizade não se meça
por sorrisos e elogios,
mas por ser, sem que se peça,
o sol em dias sombrios.
DOMINGOS FREIRE CARDOSO – Portugal
O poeta é um fingidor.
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor,
a dor que deveras sente.
FERNANDO PESSOA – Portugal
Linda musa brasileña
llena de amor y bondad
eres princesa risueña
que me da felicidad.
JOSELITO FERNÁNDEZ TAPIA – Perú
Este é o exemplo que damos
aos jovens recém-casados:
que é melhor se brigar juntos
do que chorar separados!
LUPICÍNIO RODRIGUES – Porto Alegre/RS
Tudo muda, tudo passa,
Neste mundo de ilusão:
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.
GUILHERME DE ALMEIDA – Campinas/SP
Diz uma lenda tingui
que Tupã, Deus dos guerreiros,
enterrando a lança aqui
fez nascer muitos pinheiros…
HARLEY CLÓVIS STOCCHERO – Curitiba/PR
Pescador, pensa, avalia…
e diga se ainda crê
na graça da pescaria,
se o peixe fosse você…
HERIBALDO BARROSO – Acari/RN
– ENNES, Vânia Maria Souza (organizadora). Paraná em Trovas: Seleção de Trovas. 3a. Edição revisada e ampliada. Curitiba: ABRALI, 2009.
*José Feldman (1954), é Presidente Estadual pelo Paraná, da Academia de Letras do Brasil, Consul de Poetas del Mundo, Diretor da Associação dos Literatos de Ubiratã, membro da Ordem Nacional dos Escritores. Possui o site: singrandohorizontes.blogspot.com . Publicado 2 e-books, 13 e-boletins literários e 4 e-revistas O Voo da Gralha Azul. Participação em antologias poéticas e de trovas. Contatos podem ser efetuados em pavilhaoliterario@gmail.com
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O que são Jogos Florais? (maio)
por José Feldman
Os Jogos Florais são concursos de Trovas realizados pela União Brasileira de Trovadores.
O primeiro concurso foi instituído na cidade fluminense de Nova Friburgo em 1960, considerada o berço dos Jogos Florais.
Na década de 1950, o poeta Luiz Otávio (1916-1977) reunia em sua casa no Rio de Janeiro amigos para pequenos saraus. Entre os amigos de Luiz Otávio, estavam os poetas J. G. de Araújo Jorge, Rodolpho Abbud, Zalkind Piatgorsky. Destas reuniões brotou a idéia de efetuar um concurso de Trovas na cidade de Nova Friburgo, que batizaram com o nome de "Jogos Florais".
Os Jogos Florais ou Floralia (latín: Ludi Florensei) foram celebrados na antiga Roma, de 28 de abril a 3 de maio. Eram dedicados à deusa Flora., deusa da primavera, das flores, dos cereais, dos vinhos e das árvores frutíferas.
As cortesãs reuniam-se e dançavam ao som de trombetas, num concurso em que as vencedoras eram coroadas com flores. A tradição romana prosseguiu por toda a Península Ibérica, permanecendo até os dias de hoje com o costume de colocar flores nas portas e janelas das casas.
Sua celebração é anual desde 173 a. C. Estes jogos, como outros jogos romanos, possuiam uma origem religiosa.
No século XIII, poetas apresentavam suas produções num concurso literário. Atualmente, em algumas cidades portuguesas, os Jogos Florais compõem em grande estilo as festividades locais.
Os Jogos Florais surgiram entre os trovadores provençais, na cidade de Tolouse, em 1523 e receberam este nome porque aos vencedores eram concedidos guirlandas de flores (violetas, margaridas, cravos, etc.)
Os I Jogos Florais de Nova Friburgo foram, então, realizados em 1960 com o tema "AMOR" e receberam mais de 2000 trovas do Brasil e do exterior. O vencedor foi Rodrigues Crespo com a trova:
Não me chames de senhor
que eu não sou tão velho assim,
e ao teu lado, meu amor,
não sou senhor...nem de mim!
Em Corumbá um dos primeiros registros foram feitos pelos idos de 1968 quando, por iniciativa de Poetas e Trovadores de procedência ignoradas, programaram e realizaram um concurso de trovas sob o tema AMOR, sagrando-se vencedor o trovador autor de Missa em Trovas, Antonio Augusto de Assis, da cidade de Maringá – PR – com esta trova:
Num tempo em que tantas guerras
Enchem o mundo de pavor,
Benditos os que na terra
Semeiam versos de amor.
Diversas cidades realizam estes jogos. É dado um tema para a trova, devendo constar a palavra no singular e/ou plural (conforme disposição do regulamento). Geralmente os temas são Líricas/Filosóficas e humoristicas para o município em que está sendo realizado, outras a nivel estadual e outras a nivel nacional e outros temas a nivel estudantil.
O trovador pode participar com um máximo de trovas por tema (geralmente 1, 2 ou 3).
Estive presente nas festividades dos Jogos Florais de Curitiba de 18 a 20 de junho de 2010, onde houve ainda premiação para países de lingua hispânica.
Geralmente existe um certo numero de premiações para vencedores, menções honrosas e menções especiais, podendo o mesmo trovador obter vários prêmios, pois quando da apuração das trovas vencedoras pela comissão julgadora, não consta o nome do trovador.
Só depois de julgadas as trovas há a identificação dos premiados que são convidados para participar das festividades dos Jogos Florais.
Normalmente os principais classificados ganham hospedagem durante as festividades. Elas duram dois ou três dias, de acordo com as condições de cada cidade, sendo que o programa pode variar de cidade para cidade, sendo comuns a realização de Missa em Trovas, como ocorreu recentemente em Curitiba, passeio turístico pela cidade, almoços ou jantares de confraternização, etc.
Os Jogos Florais são realizados em diversas cidades, como Curitiba/PR; Ribeirão Preto/SP; Nova Friburgo/RJ: Pouso Alegre/MG; Bandeirantes/PR; Niterói/RJ; Porto Alegre/RS; Santos/SP; Fortaleza/SP, etc.
Geralmente durante a realização das festividades são entregues livretos com as trovas vencedoras.
Para maiores informações sobre os próximos Jogos Florais, consulte www.falandodetrova.com.br ou singrandohorizontes.blogspot.com ou www.academiadeletrasdemaringa.com.br
*José Feldman (1954), é Presidente Estadual pelo Paraná, da Academia de Letras do Brasil, Consul de Poetas del Mundo, Diretor da Associação dos Literatos de Ubiratã, membro da Ordem Nacional dos Escritores. Possui o site: singrandohorizontes.blogspot.com . Publicado 2 e-books, 13 e-boletins literários e 3 e-revistas publicados. Participação em antologias poéticas e de trovas. Contatos podem ser efetuados em pavilhaoliterario@gmail.com)
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Quero tirar meu livro da gaveta e publica-lo. Que fazer?
(Abril, 2010)
por José Feldman*
Muitos escritores encontram dificuldades para obter uma editora. Ele imprime algumas cópias de seu livro e as remete para 3 ou 4 editoras que acredita ser ideal. Após alguns meses, tem as respostas. Em cartas educadas, agradecem a oportunidade de analisar sua obra, valorizam seu trabalho, mas preferem não publicá-la naquele momento. Escolhe mais umas 10 editoras e imprime mais cópias. E tudo se repete, inclusive com as cartas de recusa. É inquietante ver que, após tanto trabalho para concluir a sua obra, ela não consegue sair da gaveta.
Contudo, não deve desanimar. São muitos os best-sellers que só alcançaram o mercado após dezenas de rejeições. O grande problema é o custo deste processo para o autor.
Quando o escritor não possui uma editora e pretende publicar seu livro sem colocar nas prateleiras das livrarias como um best-seller, publicam seus livros em gráficas independentes.
Ao entrar em contato com editoras, o tempo de análise de um original até sua publicação pode demorar de um ano, ou mais. Esta é uma opção muito comum para os escritores iniciantes, que não conseguem entrar no catálogo de uma grande editora. Com o progresso tecnológico cada vez maior, a impressão de livros está mais facilmente ao alcance de todos, o que faz com que desapareça a figura tradicional das editoras, assim como esperar que elas o descubram para ter seu livro publicado.
As edições do autor existem e existiram no mercado editorial. Muitos escritores de renome só puderam se destacar ao iniciar suas carreiras literárias publicando seus livros de forma independente. O livro de Carlos Drummond de Andrade, “Alguma Poesia”, possuiu inicialmente uma impressão de 500 exemplares que o próprio Drummond pagou de seu bolso. Muitos escritores de consagração nacional ou mesmo internacional se iniciaram através da publicação independente (a denominada Edição do Autor), nomes como Manuel Bandeira, Mon¬¬teiro Lobato, Helena Kolody, Alexandre Dumas e Allan Poe.
A grande vantagem de recorrer a este recurso é a independência, pois o escritor não depende de outros para tomar a decisão sobre a publicação. A maior dificuldade é que terá que arcar com todos os custos e ainda executar uma série de tarefas que consumirão muito tempo, envolvendo a divulgação de seu livro, a noite ou tarde de autógrafos para o lançamento do livro, convites, local, etc.
Antes de tentar o caminho independente, pode-se enviar os originais para algumas editoras nacionais, contudo deve-se levar em conta que cada uma pede que se envie em um formato diferente.
Um dos pontos negativos da Edição do Autor é a distribuição e comercialização dos livros, que muitas vezes ficam em prateleiras em um canto de casa.
E O ISBN, o que é?
Segundo o site da Biblioteca Nacional (www.bn.br), "o ISBN - International Standard Book Number - é um sistema internacional padronizado que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país, a editora, individualizando-os inclusive por edição. Utilizado também para identificar software, seu sistema numérico é convertido em código de barras, o que elimina barreiras lingüísticas e facilita a sua circulação e comercialização.”
O ISBN é uma forma de catalogar livros - mas não é ele que define o que é e o que não é uma obra literária.
A importância fundamental é permitir que a sua obra seja encontrada e distribuída. Se você conseguir acordo com alguma editora, para divulgar e vender o seu livro por ela, provavelmente precisará ter o ISBN. Alguns sites ou redes sociais focadas em livros, também exigirão. Embora não seja obrigatório ter um ISBN, é aconselhado. Como o custo é relativamente baixo, vale a pena.
Para se registrar, pode utilizar o site da Biblioteca Nacional. Você precisará se cadastrar como "editor autor" - capacitando-se a fazer o registro como pessoa física.
Uma vez feito o registro, na publicação física, uma série de regras de diagramação devem ser observadas - incluindo o posicionamento do código de barras no livro. Neste caso, aliás, caberá a você comprar a imagem do código de barras (também vendido pelo site da Biblioteca Nacional) ou gerá-lo em um software especializado de sua escolha.
Caso efetue mudanças na obra deve ter um novo ISBN atribuído a ela. Segundo a Biblioteca Nacional, deve-se atribuir um novo ISBN:
- a cada edição de uma publicação;
- a cada edição em idioma diferente de uma publicação;
- a cada um dos volumes que integram uma obra em mais de um volume e também ao conjunto completo da obra (coleção);
- a toda reedição com mudança no conteúdo(texto) da obra;
- a cada tipo de suporte, tipo de formato, tipo de acabamento e tipo de capa;
- as reimpressões fac-similares;
- as separatas (desde que apresentem títulos e paginação próprios).
Ressaltando, você estará registrando a obra e não a idéia.
Procurando Editoras
O agente literário brasiliense Andrey do Amaral nos dá algumas dicas para o escritor que quer ingressar no mercado. Em seu livro “Mercado Editorial: Guia para auditores” ele diz:
Gramática
É importante fazer não só a revisão gramatical, mas também a revisão de conteúdo e de continuidade do texto. Um famoso escritor brasileiro em seu romance confundiu-se com as palavras ventrículo e ventríloquo. Quase ninguém percebeu.
Texto
Usar um texto leve, não enfadonho. Se o leitor abrir o dicionário a cada duas linhas, o escritor não obterá leitores cativos. Tendo dificuldades, leia manuais de redação.
Originais
Nunca enviar seu texto para editoras que não publicam o seu gênero. Será dinheiro jogado fora e ansiedade desnecessária. Antes de enviar a uma editora, procure se informar qual gênero publicam. Editoras de livros de medicina recebem coletâneas de poesia, editoras de livros de ficção recebem obras jurídicas, e assim por diante. Mesmo dentre as obras corretamente direcionadas à editora, muitas abordam temas que não interessam à empresa naquele momento, enquanto outras trazem textos mal escritos.
Telefonemas
O editor não atende suas ligações, porque os autores insistem em ficar ligando, ligando para eles, tentando convence-los de que o seu original vai vender muito. O escritor só deve ligar ao editor quando for solicitado. Não esqueça que as editoras recebem muitos textos por semana e não tem pessoal suficiente (nem tempo) para a leitura de tudo que lhes chega para análise.
Edição do Autor em Livrarias
Se você levar seu livro em consignação a uma livraria elas podem aceitar, porque não há nenhum impedimento para que uma grande rede ou uma livraria de rua consigne seu trabalho. A linha comercial é que decidirá sobre a recusa ou aceitação dele. Também há a probabilidade de que a livraria peça nota fiscal de seu produto para dar entrada no estoque.
Participação em Concursos Literários
Um autor independente é bom participar em Concursos Literários, pois ao se colocar nas primeiras colocações, alguns prêmios possuem parcerias com grandes editoras. Além do premio poderá ganhar a publicação de sua obra e o mais importante: distribuição e comercialização do livro. Entretanto, deve levar em conta de que muitos concursos literários não têm nenhuma importância ou expressão no cenário editorial.
Segundo o jornalista e escritor Rodrigo Capella:
Apresentação
“Primeiramente revise todos os seus textos e elimine eventuais erros. As editoras, simplesmente, ignoram principalmente as poesias que têm erros. Depois, faça um prefácio ou convide um escritor para fazê-lo. Normalmente, a segunda opção é a mais valorizada. Em seguida, escreva uma carta de apresentação do projeto, colocando os principais objetivos do livro, o público que você pretende atingir e quais as propostas do texto. Faça um outro documento descrevendo a sua experiência profissional e grampeei junto com a carta de apresentação do livro. No seu currículo profissional, conte tudo nos mínimos detalhes: os projetos que você desenvolveu nas escolas, o que você já fez como historiadora e os outros projetos que você está planejando executar. A editora vai medir a quantidade de contatos que você tem pela quantidade de projetos executados. Quanto mais projetos fazemos, mais pessoas conhecemos e mais chance temos de vender livros. É uma equação simples!”
Agente Literário
O agente literário é o profissional que faz a ponte entre as editoras e os autores, marcando reuniões nas editoras para tentar viabilizar a publicação de uma determinada obra. Este profissional possui um custo mensal. Com ele você possui maior chance de ter a sua obra publicada, pois os agentes têm normalmente bons contatos; maior visibilidade no segmento editorial, já que esses profissionais vão até as editoras e expõe toda a proposta do livros; e uma melhora considerável do texto, já que muitos agentes fazem uma revisão ortográfica do texto.
Após este texto, desejo sucesso em suas publicações!
Fontes de Referencia:
- Rodrigo Capella. Dicas para Escritores. Site: www.rodrigocapella.com.br
- Andrey do Amaral. Mercado Editorial: Guia para Autores. RJ: Editora Ciência Moderna, 2009. e-mail: perguntafixar@andreydoamaral.com
*José Feldman (1954), é presidente estadual pelo Paraná, da Academia de Letras do Brasil, Consul de Poetas del Mundo, Diretor da ALIUBI, Associação dos Literatos de Ubiratã, embaixador da Confraria Paranaense de Letras, membro da Ordem Nacional dos Escritores. Possui o site: singrandohorizontes.blogspot.com. Possui 2 e-books e 3 e-revistas publicados. Participação em antologias poéticas e de trovas. Contatos podem ser efetuados em pavilhaoliterario@gmail.com )
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Curiosidades sobre o Trovadorismo no Brasil - parte II
(Março 2010)
por José Feldman*
A trova está presente em todas escolas literárias.
Nos livros literários e nos almanaques, a trova revela-se em todos os estilos: lírica, humorística, política e, sem precisar de erudição, filosófica. Na vida escolar, a Trova popular aparece de forma ilustrativa em projetos pedagógicos, solidificando a poesia de forma fixa e rimada na aprendizagem dos estudantes.
A TROVA ATRAVÉS DOS TEMPOS
Desde a nossa infância convivemos com a poesia. A princípio, com os versinhos do cancioneiro escolar, quando as meninas frente á classe treinavam a oralidade com gestos teatrais.
Eu pedi um copo d´água,
e trouxeram na caneca
Isto mesmo que eu queria,
cinturinha de boneca.
(anônima)
Esta é uma quadra muito conhecida. Os estudiosos popularizaram a definição: “composição poética de quatro versos de sete sílabas, rimando pelo menos o segundo com o quarto e tendo sentido completo”. A redondilha maior é conhecida como versinhos, quadrinha ou verso.
Em recorte de jornal, sem data, tendo apenas iniciais S.S. por assinatura, em Vida Social, Penas de Papagaio (Quadras antigas) revela:
Estas quadrinhas foram compostas por mim, há quinze annos, numa noite em que eu e vários amigos e admiradores de Belmiro Braga lhe oferecemos um jantar modesto, no Hotel Garcez, no Rio de Janeiro.
Ó Belmiro das quadrinhas,
cantor de Minas Geraes;
deixa as máguas, que são minhas,
por favor, não cantes mais...
Meu coração tambem sente
tudo isto que te magôa...
Meu coração é doente,
meu coração chora atôa...
Tu que zombas da Saudade
que me faz tanto soffrer,
pagarás tua maldade:
de saudade hás de morrer...
Patativa regateira,
que hoje choras na gaiola,
a saudade brasileira,
também chora na viola...
Podemos sentir na ortografia a antiguidade destas quadrinhas em homenagem ao trovador Belmiro Braga, natural de Juiz de Fora (MG) 7/1/1872 e falecido a 31/03/1937. Belmiro Braga, entre outros livros, é autor de Montezinas (1902) e Redondilhas (1934).
Encontramos em Goldstein (1991,p.51)
O verso de sete sílabas, heptassílabo ou redondilha maior, é o mais simples, do ponto de vista das leis da métrica. Basta que a última sílaba seja acentuada, os demais acentos podem cair em qualquer outra sílaba. Talvez por isso ele seja predominante nas quadrinhas e canções populares. O verso tradicional em língua portuguesa, já era freqüente nas cantigas medievais.
Os livros didáticos dos anos trinta a sessenta viviam cheios de quadrinhas que eram lidas e declamadas com freqüência. Naqueles tempos todos sabiam de cor a trova de Jerônimo Guimarães:
Até nas flores se encontra,
a diferença de sorte!
umas enfeitam a vida,
outras enfeitam a morte!.
No Almanaque Saúde (Serviço Nacional de Educação Sanitária) - (DF) encontramos esta trova de Gustavo Khulmann:
Quero aprender na virtude,
a honrar a pátria querida,
conservar minha saúde,”
para ser útil na vida!. (1949, p.30)
Na vida escolar, ampliamos as leituras poéticas e as noções de versificação. Envolvemo-nos com trovas populares e literárias. Procuramos descobrir novas formas de declamar um mesmo texto. Colecionamos almanaques e revistas. Garimpamos, ainda, nos sebos, quadrinhas da seção humorística Garotas da revista O Cruzeiro. À luz da ortografia, FERREIRA, informa com esta quadrinha de Castilho, que, alguns poetas usam, à espanhola, minúscula no princípio de cada verso, quando a pontuação permite:
Aqui, sim, no meu cantinho,
vendo rir-me o candeeiro,
gozo o bem de estar sozinho
e esquecer o mundo inteiro. (1964, p.XXXI)
Verificamos aqui, a preocupação literária quanto à forma (corpo) do poema. Na mensagem (fundo)o poeta fala do bem de estar só, no seu canto, com a chama do candeeiro (antigo aparelho de iluminação, alimentado por óleo) quando esquece do mundo.
Cândido de Oliveira, em seus livros, divulga trovas com exemplos gramaticais. No Admissão ao Ginásio (IBEP anos 60, p 21), comenta:
Imaginem que Aleixo, o trovador português analfabeto que tanto admiro, certo dia foi ridicularizado por um homem que se dizia doutor e que dava a entender que quem não o fosse não poderia ombrear com ele. Aleixo não conversou e improvisou esta:
Uma mosca sem valor
Pousa com a mesma alegria
Na cabeça de um doutor
Como em qualquer porcaria.
(Pedro Bloch)
O filólogo José Marques da Cruz, também trovador, tem trovas de sua autoria, como esta:
São guarda-chuvas de porte,
os amigos que eu conheço:
-quando o vento é muito forte,
viram logo do avesso. (1966, p.377)
Vários prosadores têm quadrinhas em suas obras. José de Alencar tem diversas, como esta em O Sertanejo:
Corra, corra camarada,
Puxe bem pela memória;
Quando eu vim de minha terra.
Não foi p’ra contar história.
A poesia hoje tem maior espaço no ensino fundamental e plenitude no ensino médio. No curso de Formação de Professores de Educação Básica, nos jornais e revistas, nos livros didáticos, nas videoconferências, encontramos textos em literatura de cordel, haicai e soneto. Entretanto, mesmo antiga e dinamizada por dezenas de concursos anuais, a trova literária, mantém-se distante do quotidiano pedagógico. Cremos que a maioria dos professores desconhece como se produz poemas de forma fixa. É preciso investir mais no professor, propiciando-lhe meios para aplicar em suas aulas, a poesia presente em todas as áreas do conhecimento.
Sabemos que a arte poética requer estudos, é útil e agradável. A trova é um poema de quatro versos em redondilha maior, rimas ABAB e de sentido completo. Neste imenso clamor contra a violência, escolas gastam mais com ferragens do que com bibliotecas. Esperamos que se invista em arte-poética e que recordemos em salas-de-aula, trovas populares e literárias. Os jornais não trazem espaços para os poetas da terra editarem suas produções. A imprensa escrita têm de tudo; menos a poesia que, busca oralidade e vida cidadã. Isto tem deixado nos últimos anos, imensa lacuna histórica. O malefício tem sido amenizado pelo pluralismo da internet.
Luiz Otávio, príncipe dos trovadores brasileiros, diz:
Haveria paz na terra
não seria a vida inquieta
se a criança em vez de guerra
brincasse de ser poeta.
As crianças não brincam mais de guerra, mas também não brincam de ser poetas. Na mensagem popularizada de Agmar Murgel Dutra sentimos as mudanças da vida;
Criança – brinquei de guerra
com bonecos e confeitos...
mas, hoje, por toda a terra
brincam de guerra homens feitos...
A definição de Trova, bem como a de Trovador, vêm da Idade Média. O Trovadorismo é a primeira escola literária de Portugal. A trova como forma fixa mantém-se através dos tempos, como esta do português Antônio Correia de Oliveira:
Sino, coração da aldeia,
coração, sino da gente.
Um a sentir quando bate.
outro a bater quando sente.
Nesta conceituação, a Trova é responsável pela animação social, cultural e turística promovida há mais cinqüenta anos pelos trovadores brasileiros e consagra a Nova Friburgo, (RJ.) o título de berço dos Jogos Florais Brasileiros. O escritor Jorge Amado define:‘ Não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo do que a trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e sente a sua força. Por isso mesmo, a trova e o trovador são imortais”. Judith Coelho Maciel reforça: A trova é uma epopéia em quatro versos. Nilton da Costa Teixeira conclui “Quem faz trovas não vive só, tem a alma repleta de ilusões”.
Trova é poesia!
POESIA: Arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados. Composição poética de pouca extensão. Caráter do que emociona, toca na sensibilidade.
POEMA: Obra em verso ou não, em que há poesia. Composição poética de certa extensão, com enredo.
Sabemos que literatura é o conjunto de produções intelectuais de um povo com finalidade de educar, como “arte literária é o conjunto de preceitos que regulamentam a expressão artística do pensamento” (TORRES,1951). Procuramos aqui revelar a importância da trova literária e como motivar textos poéticos em salas de aula. O aluno gosta de ler e escrever e a trova faz bem à vida.
Na antiguidade havia um significado entre trovador e segrel. Na atualidade temos: “todo trovador é poeta, mas nem todo poeta é trovador. Quanto ao gênero as trovas podem ser: líricas, filosóficas, promocionais, formativas, humorísticas, sarcásticas ...
• Filosófica, de A A Assis, Maringá (PR), colhida na revista Trevo na Trova, nº 107, 2008, p.18, Ano XIII, UBT de Taubaté,SP:
Trate o velho com respeito;
dê-lhe o amor que possa dar,
mas não lhe roube o direito
de a si mesmo governar.
• Formativa, de Cláudio de Cápua, Santos (SP) colhida na revista Trevo na Trova, nº 107, 2008, p 04, Ano XIII, UBT, seção de Taubaté,SP:
Jovem... tenha fé na terra,
seja valente e viril,
Suba monte, desça serra,
Não desista do Brasil!
• Promocionais: do trovador José Maria Morgade de Miranda, em agradecimento a um dos patrocinadores do livro Jogos Florais em Quatro Tempos,1978, p.51, Ribeirão Preto (SP).
Um terno bom não tem preço
e valoriza você;
anote aqui o endereço:
Magazine J.B.
• Humorística: O trovador Ivan Augusto, nos XIII Jogos Florais de Ribeirão Preto (SP) 1996 pegou a 4º menção especial, glosando o tema “
A vida é mesmo um sabão,
tendo o perigo da morte;
médico, às vezes lambão...
ao paciente pede sorte.
• Lírica: Juliana Bossu Martins, classificada em terceiro lugar nos Jogos Florais Estudantis de Ribeirão Preto (SP),1996, com a trova:
Queria te dar a flor,
mas a flor tem muito espinho;
então te dou muito amor
e também muito carinho.
• Fundo metafísico: Na coluna Pif-Paf de Péricles e Vão Gogo da revista O Cruzeiro de 3/10/1953, colhemos esta trova:
As quatro letras da Vida,
são de seu mistério a escolta,
três delas soletram ida,
mas o V será de volta.
• Homenagem: O trovador Helvécio Barros, Bauru (SP), durante os II Jogos Florais de Ribeirão Preto (SP) à despedida, emocionado declamou trova a seguir que, passou a ser editada em diplomas de vencedores.
Ribeirão Preto é sucesso
é vida que se renova;
se canta ao sol do progresso,
vibra na festa da trova.
Em Poesia do Tempo – memórias, Herman de Lima, Livraria José Olympio Editora,RJ. 1967, encontramos este epigrama do poeta Antônio Sales:
A fealdade é um direito,
por isso ninguém a acusa,
mas, ser feia deste jeito...
perdão, a senhora abusa .
Quanto às trovas promocionais, Raimundo de Menezes, em Emílio de Menezes, o último boêmio, 1945, 3ª ed. da Livraria Martins Editora - SP, publica:
Bilac chegou a receber cem mil réis dos industriais dos “Fósforos Brilhante”, por esta quadrinha, diz Luiz Edmundo:
Aviso a quem é fumante:
Tanto o Príncipe de Gales,
Como o dr. Campos Sales
Usam “Fósforos Brilhante”!
Relendo Emílio de Menezes - o último boêmio, no prefácio da primeira edição, assinado por Davi Carneiro, 18 de junho de 1945, Curitiba (PR), encontramos na p.10:
Quando escreveu e publicou “A vida boêmia de Paula Nei” ainda morava em Ribeirão Preto. Aí, longe do bulício excessivo, tomou gosto pelas pesquisas, fez-se historiador e recebeu aplausos calorosos que lhe mandavam os grandes centros pela obra perfeita que lhe havia saído a historia dessa vida. Foi ainda em Ribeirão Preto, que começou a pensar neste outro livro, nesta outra biografia que é o Emílio de Menezes – o último boêmio.
O que levou-nos a essa obra foram as diversas trovas circunstanciais de Emílio, como esta:
A laranja é fruta fraca,
não sustenta como a canja,
mas em dia de ressaca,
até Deus chupa laranja.
No opúsculo Trovas de Graça, FERREIRA, revela-se humorista:
Tanta ambição por dinheiro!
Somos, na Terra, turistas
e aqui tudo é passageiro...
-bem... exceto os motoristas!
Nos concursos literários, em geral, têm predominado a trova filosófica e, isto, às vezes, provoca comentários: “ fulano tem dificuldade em lirismo e humorismo, escuda-se na filosofia e consegue destaque às suas trovas”. Creio que o segredo está em produzir a trova dentro das “exigências” literárias e da regulamentação do certame.
O estudo da história da trova, da movimentação literária pelo Brasil e países de língua portuguesa é importante; mais, ainda, ler, reler e refletir sobre os resultados finais dos concursos através dos textos premiados. A trova deve ter o tema proposto e a mensagem clara do concorrente ; ou seja, uma trova para competir precisa estar bem elaborada tanto na forma como no fundo. O trovador é o técnico da síntese. O fazer trovadoresco depende também do envolvimento que se tem com o gênero. O trovador Carlos Guimarães, em 1988, para o VIII Concurso Nacional Inter-sedes, editou folheto, contendo Entrevista Simulada com Adelmar Tavares, onde temos à p.7, a resposta da pergunta: “E falando do gênero poético. Qual é o que mais lhe agrada:
A trova foi sempre, das formas de poesia, a que mais me tocou a sensibilidade, porque foi a poesia dos lavradores de meu velho engenho pernambucano, a poesia daquelas violas inesquecíveis que fizeram o engenho da minha meninice”.
“A trova quando é erudita demais não é propriamente trova... A trova não precisa ter erudição profunda porque perde assim o seu espírito, aquele espírito de que Luiz Otávio falava...
Os escritores do passado faziam questão de ser poetas e em meio da prosa deixavam versos para envolver o leitor. As Edições de Ouro, 1979, publicaram Aprenda a Fazer Versos – contendo um Dicionário de Rimas de autoria de Manoel Macedo. O índice tem na 1ª parte – como fazer versos: poesia e verso, gêneros poéticos e generalidades poéticas; na 2ª parte o Dicionário de Rimas. Neste livro uma frase de Machado de Assis.:”Uma coisa é citar versos, outra é crer neles”.
Não temos a data, mas colhida na seção humorística Garotas, da revista O Cruzeiro, de autoria de A. Ladino, em 1974, o Departamento de Educação e Cultura da Prefeitura do Município de Ribeirão Preto (SP), colocou em volta da Fonte Luminosa diversas trovas escritas em placas de lata, entre elas:
Garota, tua bondade,
tonteia qualquer parceiro
pedaço de tempestade,
no céu de rapaz solteiro.
Nessa ocasião, a têmpera humorística de Alcy Ribeiro Souto Maior, Rio de Janeiro ( RJ ) provocou polêmica, com um sócio do Clube da Velha Guarda, por causa desta trova premiada em 1º lugar nos XV Jogos Florais de Nova Friburgo- (RJ), 1974:
Ao velho diz o Brotinho:
“Quero fugir com você”
Indaga o pobre velhinho:
-“Fugir? Mas... Fugir pra quê?
A trova acabou retirada do local. A comissão nomeada pelo Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal, concluiu mais ou menos assim: - “ o que fica bem num livro, pode não ficar bem, num local público, como a Fonte Luminosa da praça XV de Novembro, marco zero da paulista São Sebastião do Ribeirão Preto.
Na mesma solenidade de premiação de Nova Friburgo,(RJ) Jacy Pacheco, Niterói ( RJ ) autor de trovas antológicas, obteve o quarto lugar com esta trova em pleno lançamento da palavra paquera em nossos dicionários:
Pobre do velho que abusa
em paquera com mulher:
sofre quando ela o recusa
e sofre mais se ela quer.
No encanto do humorismo, outras trovas, em exposição, na praça XV, tiveram a visita de alunos de várias escolas, sob a orientação de professores de Língua Portuguesa. Nessas ocasiões, contavam com a presença de trovadores da municipalidade. A trova a seguir corria solta entre os estudantes .
Meu filho, por acaso,
és filho do Zé-Cereja?
Acaso, não, vim no prazo ,
e meu pai casou na igreja.
José Lucas Filho
Relendo a revista O Cruzeiro de 1952, encontramos:
Com seus dotes estonteantes
e atitudes majestosas,
as garotas fascinantes,
são sempre as mais perigosas.
Na edição (6 de agosto de 1955,ano XXVII, nº 43, p.62-63, desenho de Alceu Pena e texto de A. Ladino) destacamos duas quadrinhas da seção humorística Garotas . Ei-las:
Garota, que os olhos turvas,
teu lindo destino alinhas,
nas linhas de tuas curvas
nas curvas das tuas linhas.
Desde as eras mais remotas
Que este conceito é profundo;
Está nas mãos das garotas
todo o destino do mundo.
Alcy esteve em Ribeirão Preto quando, glosando o tema Pátria, recebeu o troféu e a certificação da municipalidade pelo primeiro lugar, em âmbito nacional/internacional, dos II Jogos Florais de Ribeirão Preto,1976.
Pátria, perdão, só agora,
só depois que te deixei,
caminhando mundo a fora,
dentro de mim te encontrei...
Neste evento, o poeta Nilton da Costa Teixeira, mereceu o primeiro lugar em âmbito municipal com a seguinte trova:
Neste abraço em que te aperto
com a beatitude de um monge,
sinto meu amor tão perto,
minha esperança tão longe!
O trovador conseguiu na síntese de quatro versos glosar o tema abraço e realçar o significado da palavra beatitude: gozo de alma dos que se absorvem em contemplações místicas.
No ano seguinte, 1977, era lançado o I Concurso de Jogos Florais para o Estudante de Ribeirão Preto”. Entre os 30 classificados, o primeiro lugar coube a Sérgio Bianchi Campos, do Colégio Marista, com esta trova sob o tema “Fraternidade:
Fraternidade é sofrer
por todos os semelhantes.
É amar, e assim quase ser
Jesus, por breves instantes!”
Na sessão solene de premiação, realizada no salão nobre da Sociedade Legião Brasileira de Civismo e Cultura, o poeta Ciro Armando Catta Preta, proferiu belíssima oração, saudando os estudantes laureados: (...) “ O poeta que se preza, deve estudar a fundo a língua, pois sem o idioma, seu meio de comunicação, não poderá jamais gravar, por meio de palavras, a beleza, a poesia, que somente os poetas têm o dom de captar”.
Para finalizar, uma seleção de trovas dos irmãos paranaenses “Trovando pelo Paraná”:
Almirante Tamandaré – Harley Stocchero
Meu amor sempre me espera
à tarde com um lanchinho,
mas eu fico na quimera
de tomarmos nosso vinho.
Apucarana – Fahed Daher
Cada um tem seu destino!
A pedra faz o castelo,
o bronze, a máquina e o sino,
o ferro faz o martelo.
Arapongas – Maria Granzoto
Cidade dos passarinhos,
Arapongas, Paraná.
Aqui se constroem ninhos,
que a todos acolhem cá!
Bandeirantes – Neide Rocha Portugal
Perdido na escuridão,
sem saber se é noite ou dia,
pede o cego na oração:
- Senhor, protege o meu guia!
Campo Largo – Áureo Baika
Eu curto todo momento
e não perco um só segundo.
Num minuto em pensamento
posso estar em outro mundo!
Campo Mourão – Sinclair Pozza Casemiro
Busca-se ainda o Caminho,
vive-se a doce ilusão
de um mundo feito carinho,
que ao fraco não negue o pão!
Castro – Hilda Koller
Saibamos as leis de cor,
Façamos do lar um templo,
mas nada educa melhor
do que o nosso bom exemplo.
Contenda – Hildemar Cardoso Moreira
Ao professor muito devo,
devo ao médico também.
Mas o livro é meu enlevo,
tudo que sei dele vem.
Curitiba – Vânia Maria de Souza Ennes
Descontraia sua testa,
sorrir é grande investida!
Quem transforma a vida em festa
vence tensão reprimida!
Ibiporã – Mauricio Fernandes Leonardo
Semblante santificado
cabeleira cinza escuro,
mamãe viveu seu passado
planejando meu futuro.
Irati – Mafalda de Sotti Lopes
Toda semente que eu planto
nos sulcos da minha dor,
germina regada em pranto,
mas, desabrocha em amor!
Ivatuba – Elidir D’ Oliveira
Volta, amor! – é o teu retorno
felicidade e prazer.
Teu corpo é um caminho morno
que eu adoro percorrer!
Joaquim Távora – Adilson de Paula
Pôr-do-sol, campos desertos,
e o pinheiro então parece
estar de braços abertos
a sussurrar uma prece.
Lajes – Maria Amélia Macedo Bertolini
Espanha, Ucrânia e Japão,
culturas de muitas graças!
Proporcionam diversão
em Curitiba, são praças.
Lapa – José Westphalen Corrêa
Nas águas mansas do lago,
nas verdes ondas do mar,
nas delícias de um afago,
vejo a mão de Deus pairar.
Londrina – Cidinha Frigeri
“Não há bem que sempre dure,
nem mal que nunca se acabe...”
- Por mais que um ser nos perfure,
que nossa alma não desabe!
Maringá – Antonio Augusto de Assis
Neste planeta sofrido,
com tanto lixo fedendo,
há muito louco varrido,
pouca vassoura varrendo.
Morretes – Lúcio da Costa Borges
A primavera cantemos
anos juvenis, risonhos...
Além nós todos sabemos,
restarão só nossos sonhos!
Palmeira – Heitor Stockler de França
Confesso é no teu perfume
e no sabor do teu beijo,
que para mim se resume
a volúpia do desejo.
Paranaguá – Leôncio Correia
Se o beijo guarda o perfume
de estranha, esquisita flor
é porque o beijo resume
a vida e a glória do amor.
.
Paranavaí - Dinair Leite
A trova quando é sentida
viaja em nossa emoção
Nos faz fiéis toda a vida,
une os povos, faz irmãos
Pinhais – Ligia Christina de Menezes
Meu girassol pobrezinho
saudoso, não resistiu.
Morreu olhando o caminho
por onde meu bem partiu...
Pinhalão – Lairton Trovão de Andrade
Todo filho vem dos pais,
vem o mel da flor silvestre;
não há dor sem dor nos ais
nem discípulo sem mestre.
Piraí do Sul – Vera Vargas
Contra mágoas, dissabores,
um santo remédio há.
Receita: Rua das Flores –
Curitiba – Paraná.
Piraquara – Horácio F. Portella
A saudade rasga o véu
do tempo e traz do passado
minha mãe, que lá do céu
sempre tem me abençoado.
Ponta Grossa – Amália Max
A esperança em nossa vida,
pelo valor que ela ostenta,
pode até ser resumida,
como o pão que nos sustenta.
Quatro Barras – Airo Zamoner
Nas noites da minha vida,
vida errada, vida certa,
cada estrela me convida
a uma nova descoberta.
Rio Branco do Sul – Sara Furquim
A vida é um mar de rosas
legando beleza e olor,
às criaturas bondosas,
que sabem semear o amor.
São Jerônimo da Serra – Déspita Perusso
Belo e vetusto pinheiro!
Tão alto... é grande a distância...
foi meu leal companheiro
nos doces anos da infância...
São Jorge do Ivaí – Hulda Ramos Gabriel
Tão suave é o teu carinho:
Há nele a calma de um lago...
- Tem a ternura de um ninho
e a paz de um materno afago!
São José dos Pinhais – Patrícia Cristiane de Siqueira
Esta estação é tão linda...
Cobrindo os campos de flores.
Que seja sempre benvinda!
Com alegria e muitas cores.
São Mateus – Gerson Cesar Souza
A frase dura que escapa
da boca de muitos pais
é tão cruel como um tapa
e, às vezes, machuca mais!
Tomazina – Cecim Calixto
Curitiba tem seus bares
com requinte de Paris,
Aos boêmios, seus altares,
e aos poetas, lar feliz.
Ubiratã – José Feldman
Paraná...terra de encantos...
Luz de um povo varonil!
A flora e a fauna são mantos
que engrandecem o Brasil.
União da Vitória – Hely Marés de Souza
Quero rever os meus pagos,
ouvir toda a velha história.
Quero sentir os afagos...
da minha União da Vitória!
Fontes de pesquisa:
– TEIXEIRA, Nilton Manoel de Andrade. Didática da trova. Batatais, 2008.
– FERREIRA, Josué de Vargas, Trovas de Graça, 2007, Edição do Autor
– OTÁVIO, Luiz , Decálogo de Metrificação, UBT-1975, UBT-Nacional
– http://singrandohorizontes.blogspot.com
– http://www.falandodetrova.com.br
*José Feldman (1954), é presidente estadual pelo Paraná, da Academia de Letras do Brasil, Consul de Poetas del Mundo, Diretor da ALIUBI, Associação dos Literatos de Ubiratã, embaixador da Confraria Paranaense de Letras, membro da Ordem Nacional dos Escritores. Possui o site: singrandohorizontes.blogspot.com. Possui 2 e-books e 3 e-revistas publicados. Participação em antologias poéticas e de trovas. Contatos podem ser efetuados em pavilhaoliterario@gmail.com )
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O Trovadorismo no Brasil e no Mundo (Origens)
(Fev.2010).
por José Feldman*
É na Idade Média que surgiram os primeiros textos literários: as cantigas trovadorescas, assim chamadas porque eram compostas e cantadas pelos trovadores, que eram acompanhados por instrumentos musicais como o alaúde, a flauta, a viola, a gaita etc.
Essas composições eram poesias feitas cantadas nas feiras ou nos castelos, só mais tarde foram reunidas em cancioneiros, sendo os mais importantes: o da Ajuda, o da Biblioteca Nacional e o do Vaticano. (As cantigas têm um correspondente na arte popular brasileira: as trovas dos repentistas do Nordeste, que tanto divertem os turistas nas feiras e nas praias).
Os poetas e cronistas dessa época eram chamados de trovadores, pois no norte da França, o poeta recebia o apelativo trouvère (em Português: trovador), cujo radical é: trouver (achar), dizia-se que os poetas “achavam” sua canção e a cantavam acompanhados de instrumentos como a cítara, a viola, a lira ou a harpa. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos. Os trovadores tinham grande liberdade de expressão, entravam em questões políticas e exerceram destacado papel social.
O texto mais antigo desse período, segundo Carolina Michaelis, é a Canção da Ribeirinha (também conhecida como Canção de Guarvaia), de Paio Soares de Taveirós.
Compostas e cantadas no idioma galego-português (comum a Portugal e à Galícia, pois o português propriamente dito ainda não se desenvolvera), as cantigas dividiam-se em dois tipos: líricas (cantigas de amor e de amigo) e satíricas (de escárnio e maldizer).
Cantigas de escárnio e de maldizer
Esse tipo de cantiga procurava ridicularizar pessoas e costumes da época com produção satírica e maliciosa.
As cantigas de escárnio são críticas, utilizando de sarcasmo e ironia, feitas de modo indireto, algumas usam palavras de duplo sentido, para que, não entenda-se o sentido real.
As de maldizer, utilizam uma linguagem mais vulgar, referindo-se diretamente a suas personagens, com agressividade e com duras palavras, que querem dizer mal e não haverá outro modo de interpretar.
Os temas centrais destas cantigas são as disputas políticas, as questões e ironias que os trovadores se lançam mutuamente
Conheceis uma donzela
Por quem trovei e a que um dia
Chamei dona Berinjela?
Nunca tamanha porfia
Vi nem mais disparatada.
Agora que está casada
Chamam-lhe Dona Maria.
Algo me traz enojado,
Assim o céu me defenda:
Um que está a bom recato
(negra morte o surpreenda
e o Demônio cedo o tome!)
quis chamá-la pelo nome
e chamou-lhe Dona Ousenda.
Pois que se tem por formosa
Quanto mais achar-se pode,
Pela Virgem gloriosa!
Um homem que cheira a bode
E cedo morra na forca
Quando lhe cerrava a boca
Chamou-lhe Dona Gondrode.
Cantigas de Amor
Quem fala no poema é um homem, que se dirige a uma mulher da nobreza, geralmente casada, o amor se torna tema central do texto poético. Esse amor se torna impraticável pela situação da mulher. Segundo o homem, sua amada seria a perfeição e incomparável a nenhuma outra. O homem sofre interiormente, coloca-se em posição de servo da mulher amada. Ele cultiva esse amor em segredo, sem revelar o nome da dama, já que o homem é proibido de falar diretamente sobre seus sentimentos por ela (de acordo com as regras do amor cortês), que nem sabe dos sentimentos amorosos do trovador. Nesse tipo de cantiga há presença de refrão que insiste na idéia central, o enamorado não acha palavras muito variadas, tão intenso e maciço é o sofrimento que o tortura.
São cantigas que espelham a vida na corte através de forte abstração e linguagem refinada. É uma relação muito parecida com a suserania e vassalagem, percebida na estrutura social medieval.
Cantigas de Amigo
O trovador coloca como personagem central uma mulher da classe popular, procurando expressar o sentimento feminino através de tristes situações da vida amorosa das donzelas. Pela boca do trovador, ela canta a ausência do amigo (amado ou namorado) e desabafa o desgosto de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher. Nesse tipo de poema, a moça conversa e desabafa seus sentimentos de amor com a mãe, as amigas, as árvores, as fontes, o mar, os rios, etc. É de caráter narrativo e descritivo e constituem um vivo retrato da vida campestre e do cotidiano das aldeias medievais na região.
Segundo o trovador paranaense A. A. de Assis, a língua portuguesa nasceu cantando trovas, isso há mais de mil anos, na voz dos jograis e menestréis que iam de cidade em cidade espalhando os seus versos. Cultivara-se a trova inicialmente no sul da França, de lá se espalhando por toda a Europa, até encontrar na Espanha e, finalmente, em Portugal, o seu mais fértil canteiro.
Nas cortes portuguesas a trova alcançou grande esplendor. Era a poesia dos reis, como o célebre Dom Dinis; dela se serviram Gil Vicente e Camões; mais recentemente, cantaram em trovas Augusto Gil, Antônio Correia de Oliveira, Fernando Pessoa.
Ao Brasil a trova chegou nas caravelas de Cabral. Facilmente caiu no gosto popular, e até hoje permanece, ganhando a cada dia mais adeptos. Cultivou-a José de Anchieta; passou por Gregório de Matos; pelos árcades (Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa); pelos românticos (Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Castro Alves); pelos parnasianos (Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Vicente de Carvalho); pelos simbolistas (Cruz e Souza, Alphonsus de Guimarães; pelos modernistas (Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drumonnd de Andrade)...
Mas a grande expansão da trova no Brasil, com repercussão imediata em Portugal, deu-se mesmo a partir de 1956, com o lançamento de "Meus irmãos, os trovadores", uma coletânea de duas mil trovas organizada por Luiz Otávio, na época o trovador mais conhecido em todo o país. No livro aparecem, entre centenas de outros autores, alguns poetas já consagrados e que se especializaram em trovas: Adelmar Tavares (o primeiro trovador a ingressar na Academia Brasileira de Letras), Bastos Tigre, Belmiro Braga, Lilinha Fernandes.
Tamanho foi o sucesso da obra, que a trova ganhou espaço na maioria dos jornais e revistas e também em numerosos programas de rádio. Em 1959, Luiz Otávio e J. G. de Araújo Jorge, com apoio do jornal carioca "O Globo", lançaram os I Jogos Florais de Nova Friburgo, ponto de partida para a consolidação do movimento literário mais amplo e bem organizado de que se tem notícia da literatura brasileira.
Os Jogos Florais foram muito populares na Idade Média. Era um torneio cultural promovido anualmente em Toulouse, França, inspirado em tradições originárias da Roma antiga. Por se realizar na primavera, esse torneio, que envolvia várias modalidades literárias, oferecia prêmios (troféus) em forma de flores, daí o nome "Jogos Florais".
Os I Jogos Florais de Nova Friburgo constaram de um grande concurso de trovas, com o tema "amor". A festa de premiação, em maio de 1960, reuniu na bela cidade serrana fluminense, além dos vencedores do concurso, outros ilustres intelectuais, entre os quais Antônio Olinto, Eneida, Jorge Amado, Manuel Bandeira. Dali por diante, dezenas de outras cidades passaram a promover torneios semelhantes, alguns com o nome de Jogos Florais, outros simplesmente como concursos de trovas. Na maioria dessas cidades, a festa hoje faz parte do calendário de eventos, constituindo importante atração turística.
O concurso de trovas propõe um ou mais temas, a partir dos quais trovadores de todo o Brasil e também de Portugal produzem seus versos. Ao final do prazo estabelecido para remessa dos trabalhos, uma comissão julgadora seleciona as trovas premiadas (vencedoras, menções honrosas e menções especiais).
Os autores das trovas contempladas são convidados a comparecer à cidade promotora do concurso para uma festa que dura de um a três dias. Nessa ocasião, além de passeios, recitais e outros programas, faz-se uma reunião solene para entrega dos prêmios (diplomas, troféus e medalhas). Não há prêmio em dinheiro. Quando há recursos disponíveis, os premiados ganham hospedagem e refeições, mas as despesas de transporte correm por conta de cada um. Por ser um movimento literário que se caracteriza pela fraternidade, tal costume é aceito tranqüilamente.
A União Brasileira de Trovadores tem seções e delegacias em todo o país, congregando cerca de 5 mil trovadores. A trova moderna define-se como um poema composto de quatro versos de sete sons (setissílabos), rimando o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto. Assemelha-se ao haicai, pela concisão; porém é mais acessível ao público geral, pela sua musicalidade e simplicidade. Adelmar Tavares a resumiu assim:
"Oh linda trova perfeita",
que nos dá tanto prazer...
Tão fácil, depois de feita...
tão difícil de fazer!"
Classificam-se as trovas em três grupos principais: filosóficas, líricas e humorísticas.
Trova filosófica:
Redimindo os pecadores,
conduzindo-os para a luz,
o maior dos sonhadores
morreu pregado na cruz!
Aparício Fernandes
Trova lírica:
Eu vi minha mãe rezando
aos pés da Virgem Maria:
- Era uma Santa escutando
o que outra santa dizia!
Barreto Courinho
Trova humorística:
Minha sogra não reclama
pelo trato que lhe dou.
Até de filho me chama...
só não diz que filho eu sou!
Elton Carvalho
O trovador carioca Sérgio Bernardo, em artigo A Trova: Origem, Trajetória, Rumos, enfatiza que a trova, desde sua origem até este início do séc. 21, tem estado presente em todos os movimentos literários surgidos. No Trovadorismo dos séc. 13 e 14, como visto, encabeçou os tipos poemáticos chamados cantigas (de amor, amigo e de escárnio e maldizer).
Nos séc. 15 e 16 eram compostas isoladamente ou retiradas do trovário popular — coleção de trovas anônimas — para que os poetas as glosassem, desenvolvendo poemas mais extensos, de várias estrofes, cujo conteúdo era centrado na temática da trova-mote. Os autores já não tinham de estar presos, porém, a temas fixos como nas cantigas, podendo os versos ser de exaltação a campanhas militares, feitos reais ou mesmo um relato da vida cotidiana das cidadelas fortificadas.
Ao tempo de Camões, Sá de Miranda e Diogo Fernandes, entre outros, as trovas eram largamente referidas por estes poetas, recolhidas do povo, como esta que critica a cessão de Portugal ao trono da Espanha, no séc. 16:
Viva El Rei Dom Henrique
Lá no inferno muitos anos,
Pois deixou em testamento
Portugal aos castelhanos!
A esta altura, com o surgimento do Brasil na geografia mundial, vem a trova na bagagem dos primeiros portugueses. Difícil é ser encontrada documentalmente, já que o governo português proibia a impressão gráfica na nascente colônia. Mesmo assim, há referência dela utilizada como estribilho em poemas de, por exemplo, José de Anchieta (1543-1597).
No séc. 17, já com uma literatura brasileira mais expressiva, surgem nossos primeiros livros, impressos em Portugal, um deles o Compêndio Narrativo do Peregrino da América, de Nuno Marques Pereira (1652-1734?), em que as trovas estão presentes. Historicamente, trata-se do primeiro livro brasileiro contendo trovas intencionais (isoladas).
Sem conta, peso ou medida,
vivo no mundo, de sorte
que não sei, chegando a morte,
que conta darei da vida.
Com o florescimento do Arcadismo, no século seguinte, imperaram as composições poéticas com metros e estrofes de maior extensão, mas muitas trovas podem ser derivadas, como esta que encerra um poema de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), o célebre autor de Marília de Dirceu:
Não sei, Marília, que tenho,
depois que vi o teu rosto,
pois quando não é Marília
já não posso ver com gosto.
Antônio Bersane Leite, amigo de Bocage, que veio para o Brasil em 1807 e aqui morreu, foi outro que escreveu muitas trovas intencionais, sobretudo satíricas. O séc. 19 foi riquíssimo em movimentos literários — o Romantismo, Parnasianismo, Simbolismo — e em grandes vozes poéticas. Todos os poetas situados dentro destes períodos cederam aos encantos da trova, entre eles, Castro Alves (romântico):
As nuvens ajoelhadas
nos claustros ermos e vãos
passam as contas doiradas
das estrelas pelas mãos!
Ou Olavo Bilac (parnasiano):
O amor que a teu lado levas
a que lugar te conduz,
que entras coberto de trevas
e sais coberto de luz?
Ou ainda Alphonsus de Guimaraens (simbolista):
O cinamomo floresce
em frente do teu postigo...
Cada flor murcha que desce
morre de sonhar contigo!
Com a chegada do séc. 20, surgem os primeiros trovadores autênticos, começando a encarar a trova com mais seriedade e escrevendo-a conscientes de estar criando uma peça literária, com o cuidado formal e estilístico que esta merece. Destacam-se Américo Falcão, Belmiro Braga e Adelmar Tavares, primeiro trovador a pertencer à Academia Brasileira de Letras (ABL).
Também em letras de música — nas modinhas, lundus, chorinhos — a trova se fez presente.
Dos grandes poetas desse século, praticamente todos mostraram-se sensíveis à trova e em dado momento a produziram. Podem ser citados, entre tantos, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. Desta última ficou uma linda trova:
Em barca de nuvens sigo...
E o que vou pagando ao vento
para levar-te comigo
é suspiro e pensamento.
Em 1956, Luiz Otávio (1916-1977) compilou e publicou a antologia Meus irmãos, os trovadores, contendo 2 mil trovas de autores brasileiros e portugueses, de Gregório de Matos aos atuantes na época. Este livro é considerado o marco de criação do movimento trovadoresco atual, pois, a partir dele, trovadores e mais trovadores foram aparecendo por todo o Brasil, numa verdadeira febre pelas quadras de 7 sílabas.
Gilson de Castro nasceu a 18 de julho de 1916, no Rio de Janeiro. Luiz Otávio foi o pseudônimo que ele adotou para assinar suas trovas, poesias e outras manifestações de seu talento literário. Era cirurgião-dentista, profissão que exerceu no Rio de Janeiro, onde se formou e mais tarde se transferindo para Santos no final de sua vida.
Começou a enviar seus versos para os jornais e revistas lá por 1938, ainda timidamente, oculto sob pseudônimo. Não pretendia misturar a vida literária com a profissional. As principais revistas e jornais da época começaram a divulgar poesias e principalmente trovas de Luiz Otávio, que podiam ser encontradas no "Correio da Manhã", "Vida Doméstica", "Fon-Fon", "O Malho", "Jornal das Moças", revistas que, como "O Cruzeiro", eram as mais lidas dos anos 1939, 40 e 41, etc. A revista "Alterosa" de Belo Horizonte, também o divulgou. Pouco a pouco, a Trova tomou conta do coração do poeta, assumindo Literalmente papel de Liderança na sua vida
De tal porte foi este surto trovístico, que a ocasião tornou-se propícia para se criar o primeiro concurso de trovas com congraçamento de trovadores, os I Jogos Florais de Nova Friburgo, em 1960.
Daí por diante, outras cidades compraram a idéia e passaram a promover seus concursos e jogos florais, que foram se espalhando por todo o País, de Belém, PA, a Porto Alegre, RS. Centenas de milhares de trovas já foram escritas, milhares delas antológicas, a partir do que é possível reafirmar-se: a trova é o gênero poético de forma fixa mais cultivado hoje no Brasil. E talvez mesmo no mundo, podendo ser até que ganhe do haicai, poema de 3 versos originário do Japão e largamente produzido naquele país.
Em pleno séc. 21, era da supremacia tecnológica, do comportamento globalizado e do vanguardismo a qualquer preço, a trova resiste e continua ativa, efervescente e fazendo brotar novos talentos. No País, a União Brasileira de Trovadores é a entidade responsável, administrativamente falando, pela sua consolidação, divulgação e perpetuação, através da coordenação de concursos ou realização de oficinas em escolas e instituições públicas, visando a despertar o interesse pela trova, sobretudo no tocante às novas gerações. Trovas escritas por jovens do ensino fundamental e médio, em muitas cidades brasileiras onde estas oficinas são ministradas, dão a certeza de que a UBT caminha em bom rumo. E de que a trova ainda tem muito a contribuir com nossa literatura poética, enquanto num mundo cada vez mais assediado pela máquina houver coragem para se falar de sentimento.
Como participar de Concursos
No Brasil, a trova é a forma poética composta de quatro versos de sete sílabas métricas cada um deles, com ocorrência de rimas do 1º verso com o 3º e do 2º com o 4º, tendo o conjunto sentido completo.
Sistema de envio das Trovas
No Brasil o sistema adotado desde muito tempo é o chamado "sistema de envelopes", que consiste em:
- datilografar/digitar a Trova na face externa de um pequeno envelope de aproximadamente 8/11 cm, tendo, acima da Trova, o Tema a que concorre.
- colocar dentro deste envelope um papel com: nome e endereço completos, mais a assinatura. E outros dados de identificação que achar necessários.
- fechar esse envelope (colar) para remessa.
- colocar o(s) envelope(s) com as Trovas em outro, maior, para a remessa, endereçado ao Concurso. Esse envelope não deve ter nenhuma identificação do remetente. Se não houver instruções específicas, usar como remetente "Luiz Otávio" e repetir o endereço do próprio Concurso.
Trovas do Sul
Amar é bom, ame à beça,
o mais que puder amar;
ame sem medo e sem pressa,
de preferência ao luar!
A A de Assis-PR
Lembranças da minha infância;
lembranças da mocidade.
Hoje só resta a distância
ligada pela saudade.
Alberto Paco - PR
Partiu a jangada airosa
na praia ficou Maria,
pedindo, de alma ansiosa,
que ela volte ao fim do dia.
Amália Max – PR
Adocei minha saudade,
bem lembrando de você...
Pense em mim, tenha bondade,
esquecer?... Não sei por quê!
Apollo Taborda França - PR
Sorrisos trago e os semeio
como quem lança um fermento
que traga ao mundo o recheio
da paz e do entendimento.
Arlene Lima-PR
Alô trova, aquele abraço,
disse o poeta trovador:
- Em quatro linhas eu traço
quatro versos de valor!
Ceciliano José Ennes Neto-PR
No transcurso do caminho
as flores vamos jogando,
sem nos importar com o espinho,
se nele vamos pisando.!
Cyroba Ritzman – PR
Deus, que semeia o sagrado,
para manter nossa crença,
criou um céu estrelado,
sinal da Sua presença!
Gerson César Souza - PR
A verdade, quando dita,
por mais dura que pareça,
é uma dádiva bendita
que faz com que a gente cresça.
Nei Garcez – PR
Da janela da velhice,
eu contemplo com saudade
os jogos da meninice
e as festas da mocidade...
Olga Agulhon- PR
Pinheiro do Paraná,
eu não te esqueço jamais,
algo mais lindo não há
no chão dos Campos Gerais!...
Sônia Ditzel Martelo – PR
Vence valores, de fato,
quando em meio à discussão,
se revolta de imediato,
mas, na ofensa... dá o perdão!!!
Vânia Maria Souza Ennes - PR
A semente é como a trova,
de modo geral pequena,
bem plantada se renova
numa riqueza serena.
Vidal Idony Stockler – PR
Brasil de muitas culturas,
país altaneiro e belo!
É a beleza das misturas
que aviva o verde e amarelo.
Wandira F. Queiroz – PR
À noite vou namorar:
- Da lua já nem preciso!...
só quero ver teu olhar
fascinando o meu sorriso.
Ari Santos de Campos – SC
Vamos a vida encantar
com nossa Trova querida,
e na Trova, então cantar,
um hino de amor à vida!
Gislaine Canales - SC
Que saudade dos brinquedos
do meu tempo de criança,
tendo os risos e folguedos
como arautos da esperança.
Alice Brandão-RS
Solidão faz apertado
o coração sofredor,
que desperta, inebriado,
ao toque de um novo amor.
Ana Michel – RS
Depois de longa jornada
tenho uma grande ambição:
quero percorrer a estrada
que leva ao teu coração.
Clênio Borges - RS
Quero entender a magia
do silêncio , que renova ,
e afastar a nostalgia ,
que chora na minha trova!
Delcy Canalles-RS
As pedras do meu caminho
vou transpondo-as com ardor
e cada dia um trechinho
vira caminho de amor!
Flávio Stefani – RS
Não adianta querer tanto,
nem amar sem ser amado,
foi assim meu desencanto
ao me sentir desprezado.
Ialmar Pio Schneider-RS
No brinquedo “Esconde- esconde”,
eu me escondia tão bem,
que, até hoje, não sei onde,
eu me escondi...E de quem?
Lisete Johnson - RS
A imaginação flutua,
dando à vida, mais sabor...
...Que a lua é muito mais lua
nos versos de um trovador!
Marlê Beatriz Araújo-RS
Quando a mágoa nos revolta,
e os dias tinge de breu,
só o Perdão nos traz de volta
a luz que a mágoa escondeu.
Marisa Vieira Olivaes - RS
Um erro sempre é semente
de uma dor que vai nascer.
Perdão é o melhor presente
que alguém pode receber...
Milton Souza-RS
Pra que teu lar seja um templo,
pleno de amor e de paz,
mostra o caminho do exemplo,
que é sempre o mais eficaz.
Neoly de Oliveira Vargas - RS
Foi preciso muito brio,
quase a coragem faltou,
para enfrentar o vazio,
que a tua ausência deixou!
Wilma M. Cavalheiro-RS
Informações sobre trovas e concursos, na internet:
http://www.falandodetrova.com.br
http://singrandohorizontes.blogspot.com
Bibliografia:
ASSIS, A.A. de. Falando sobre Trovas. Disponível em http://ubtportoalegre.portalcen.org/leitores.htm
BERNARDO, Sérgio. A Trova: Origem, Trajetória, Rumos. Disponível em http://www.falandodetrova.com.br/v5/atrovaorigem
RAMOS, Carolina. Luiz Otávio – Príncipe da Trova
Revista Brasil Escola. http://www.brasilescola.com/literatura/trovadorismo.htm
Revista Trovamar – União Brasileira de Trovadores - UBT Balneário Camboriú - SC – Ano 6 - Nº 62 - Fevereiro de 2010
SANTOS, Eberth. MOURA, Josana de. Literatura e Filosofia (Palavra em Ação). 2.ed. Uberlândia: Ed. Claranto, 2004.
Imagem = Trova sobre Estudo do Crânio, de Victor Farat, in http://victorfarat.com.br/
*José Feldman ( pavilhaoliterario@gmail.com ) presidente estadual da Academia de Letras do Brasil, pelo Paraná. Poeta, escritor, trovador e gestor cultural. Idealizador do blog singrandohorizontes.blogspot.com
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A Menina e o General
(Jan.2010).
por José Feldman*
Átila José Borges conta sobre O Cerco da Lapa (revolução Federalista) e a Guerra do Contestado, pontos cruciais da história paranaense que servem de fundo para narrar a vida de Maria Rosa, uma menina de 15 anos criada no sertão catarinense que comanda 8 mil homens e vence o Exército para defender a sua terra.
Um romance repleto de fatos históricos importantes do Paraná e que ainda traz uma heroína pouco conhecida, a Joana D’Arc brasileira.
Segundo o autor, a idéia para escrever sobre Maria Rosa surgiu após a aceitação de seu outro livro, Peludos x Pelados - A Guerra do Contestado, no qual Maria Rosa aparece rapidamente. “Muitas pessoas comentaram e queriam saber mais sobre ela. Por isso, decidi fazer um livro sobre Maria Rosa, uma menina criada no sertão catarinense, analfabeta, isolada do mundo, e que de repente estava em cima de um cavalo, com um facão em uma mão”, comenta Átila. Para o autor, Maria Rosa pode ser considerada uma versão tupiniquim de Joana D’Arc. “Maria Rosa foi a mulher com a personalidade mais marcante da história do nosso País”.
Basicamente a história do livro é, o pai de Maria Rosa, ainda solteiro, luta no Cerco da Lapa (1893) ao lado do Coronel Carneiro, que acaba sendo baleado (promovido a General antes de sua morte). Ele foge para o interior de Santa Catarina, onde forma família e aí nasce a sua filha Maria Rosa. Diante dos conflitos provocados por opressão de construtores da ferrovia entre Rio Grande do Sul e São Paulo, eclodiu um grande movimento social. Os caboclos da região se unem ao monge José Maria para lutar por suas terras durante a expulsão e morte da população local. O movimento vai ganhando força até que João Gualberto tenta coibir o monge e seus seguidores. Ele e o monge José Maria são mortos. Neste cenário da Guerra do Contestado (1912), entende-se que Maria Rosa, com então 15 anos, seria a lider do grupo. O Exército ataca os caboclos, mas estes, liderados por Maria Rosa, vencem-nos.
O romance mostra a importância do Cerco da Lapa e a Guerra do Contestado, os militares e as pessoas humildes que lutavam pela sobrevivência. Ele narra as causas que conduziram o povo a se rebelar. Os personagens são descritos com detalhes. A linguagem, o pensamento, os usos e costumes, as crendices do cotidiano sertanejo são destacados no livro. Os fatos, através de pesquisa realizada pelo autor, permitem ao leitor não só ler sobre estas guerras cheio des descrições, mas vivencia-las através da jornada realizada de Eliasinho da Serra, Quinzinho, do polaco Antonio Aracheski e seu cão Fuminho, que a princípio se alistam no exército do Coronel Antonio Ernesto Gomes Carneiro para defender a Lapa dos federalistas de Guimercindo Saraiva, revoltosos chamados de maragatos. Escrito de forma dinâmica, recheada de detalhes dos eventos, o romance nos transporta ao passado, fazendo com que fiquemos apreensivos, felizes e sintamos tristeza, como quando da morte do câozinho do polaco, Fuminho, é morto pelos maragatos. Um livro de uma linguagem simples, sem firulas, que nos prende a cada página. Borges fez uma grande pesquisa e esteve na região da Guerra do Contestado para escrever o livro. A publicação traz ainda fotos e ilustrações sobre as passagens descritas.
A divergência teve inicio com atritos ocorridos entre aqueles que procuravam a autonomia estadual, frente ao poder federal e seus opositores. A luta armada atingiu as regiões compreendidas entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O Cerco da Lapa foi um episódio que ocorreu durante a Revolução Federalista em 1894, quando a cidade de Lapa (Paraná) tornou-se arena de um sangrento confronto entre as tropas republicanas, os chamados pica-paus (legalista) e os maragatos (federalista), contrários ao sistema presidencialista de governo. Lapa resistiu bravamente até que os lapeanos comandados pelo Coronel Antônio Ernesto Gomes Carneiro, caíram em combate. Resistiram ao cerco por 26 dias, mas sucumbiram ante ao maior número do exército Federalista. A batalha deu ao Marechal Floriano Peixoto, chefe da República, tempo suficiente para reunir forças e deter as tropas federalistas. Ao todo foram 639 homens entre forças regulares e civis voluntários, lutando contra as forças revolucionárias formadas por três mil combatentes.
A obstinada resistência oposta às tropas federalistas na cidade de Lapa (Paraná), pelo Coronel Coronel Carneiro, frustrou as pretensões rebeldes de chegarem à capital da República. A resistência da Lapa impediu o avanço da revolução. Gumercindo, então impedido de avançar, bateu em retirada para o Rio Grande do Sul.
Já a Guerra do Contestado foi um conflito armado que ocorreu na região Sul do Brasil, entre outubro de 1912 e agosto de 1916. O conflito envolveu cerca de 20 mil camponeses que enfrentaram forças militares dos poderes federal e estadual. Ganhou o nome de Guerra do Contestado, pois os conflitos ocorrem numa área de disputa territorial entre os estados do Parará e Santa Catarina.
A estrada de ferro entre São Paulo e Rio Grande do Sul estava sendo construída por uma empresa norte-americana, com apoio dos coronéis (grandes proprietários rurais com força política) da região e do governo. Para a construção da estrada de ferro, milhares de família de camponeses perderam suas terras. Este fato, gerou muito desemprego entre os camponeses da região, que ficaram sem terras para trabalhar.
Outro motivo da revolta foi a compra de uma grande área da região por de um grupo de pessoas ligadas à empresa construtora da estrada de ferro. Esta propriedade foi adquirida para o estabelecimento de uma grande empresa madeireira, voltada para a exportação. Com isso, muitas famílias foram expulsas de suas terras.
O clima ficou mais tenso quando a estrada de ferro ficou pronta. Muitos trabalhadores que atuaram em sua construção tinham sido trazidos de diversas partes do Brasil e ficaram desempregados com o fim da obra. Eles permaneceram na região sem qualquer apoio por parte da empresa norte-americana ou do governo.
Diante da crise e insatisfação popular, ganhou força a figura do beato José Maria. Este pregava a criação de um mundo novo, regido pelas leis de Deus, onde todos viveriam em paz, com prosperidade justiça e terras para trabalhar. José Maria conseguiu reunir milhares de seguidores, principalmente de camponeses sem terras.
Os coronéis da região e os governos (federal e estadual) começaram a ficar preocupados com a liderança de José Maria e sua capacidade de atrair os camponeses. O governo passou a acusar o beato de ser um inimigo da República, que tinha como objetivo desestruturar o governo e a ordem da região. Com isso, policiais e soldados do exército foram enviados para o local, com o objetivo de desarticular o movimento.
Os soldados e policiais começaram a perseguir o beato e seus seguidores. Armados de espingardas de caça, facões e enxadas, os camponeses resistiram e enfrentaram as forças oficiais que estavam bem armadas. Nestes conflitos armados, entre 5 mil e 8 mil rebeldes, na maioria camponeses, morreram.
Maria Rosa é como ficou conhecida a personagem brasileira que foi uma das líderes da Guerra do Contestado (1912-1916). Dizem os historiadores que, com apenas 15 anos, Maria Rosa lutou como homem nesta guerra. Considerada como uma Joana D'Arc do sertão, "combatia montada em um cavalo branco com arreios forrados de veludo, vestida de branco, com flores nos cabelos e no fuzil". Assumiu a liderança espiritual e militar de todos os revoltosos do Contestado, após a morte do monge João Maria. Maria Rosa morreu em 28 de Março de 1915, da vila de Reinchardt, lutando contra o capitão Tertuliano Potyguara e um efetivo de cerca de 710 homens. Maria Rosa morreu às margens do rio Caçador.
Os termos "maragato" e "pica-pau", usados para se referir às duas grandes correntes políticas gaúchas, e identificados, respectivamente, com o uso do lenço vermelho e do lenço branco, surgiu no Rio Grande do Sul em 1893, durante a Revolução Federalista.
Eram chamados de Pica-paus durante a Revolução Federalista de 1893 no Rio Grande do Sul - os opositores dos maragatos.
Os pica-paus estavam no poder com Júlio de Castilhos e tinham forte vínculo com o Governo Federal. Por razões políticas eclodiu a Revolução Federalista em 1893, em que a reação veio dos chamados Maragatos ou Federalistas, com visão descentralizadora.
O motivo da alcunha veio pelo chapéu usado pelos militares que apoiavam essa facção. Eles usavam listras brancas que, segundo os revolucionários, seriam semelhantes a um tipo de pica-pau do Sul do Brasil. Esta denominação se estendeu a toda facção.
O termo maragato no Brasil foi usado pela primeira vez para se referir uma das duas grandes correntes políticas gaúchas, formadas no final do século XIX e identificada, respectivamente, com o uso do lenço vermelho. Surgiu no Rio Grande do Sul em 1891, no esteio da Revolução Federalista. Os maragatos foram os que iniciaram a revolução, que tinha como justificativa a resistência ao excessivo controle exercido pelo governo central sobre os estados. O objetivo da revolução seria, portanto, garantir um sistema federativo, e a adoção da forma parlamentarista de governo. Defendiam o credo político pregado por Gaspar da Silveira Martins, adversário de Júlio de Castilhos, do Partido Republicano Riograndense - PRR.
A origem do termo tem uma explicação complexa. No Uruguai eram chamados de maragatos os habitantes da cidade de San José de Mayo, Departamento de San José, talvez porque os seus primeiros habitantes fossem descendentes de maragatos espanhóis. Na província de León, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes têm o nome de maragatos, e que, segundo alguns, é um povo de costumes condenáveis; pois, vivendo a vagabundear de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando roubos e por sua vez roubando principalmente animais; são uma espécie de ciganos. Os maragatos espanhóis eram eminentemente nômades, e adotavam profissões que lhes permitissem estar em constante deslocamento. Na época da revolução, os republicanos legalistas usavam esta apelação como pejorativa, atribuindo-lhes propósitos mercenários. A realidade oferecia alguma base para essa assertiva — o caudilho estrategista brasileiro Gumercindo Saraiva, um dos líderes da revolução, havia entrado no Rio Grande do Sul vindo do Uruguai pela fronteira de Aceguá (Uruguai), no Departamento de Cerro Largo, comandando uma tropa de 400 homens entre os quais estavam uruguaios. A família de Gumercindo, embora de origem portuguesa, possuia campos em Cerro Largo.
No entanto, dar esse apelido aos revolucionários foi um tiro que saiu pela culatra. A denominação granjeou simpatia. Os próprios rebeldes passaram a se denominar "maragatos", e chegaram a criar um jornal que levava esse nome, em 1896.
*(José Feldman, presidente estadual da Academia de Letras do Brasil, pelo Paraná. Poeta, escritor, trovador e gestor cultural. Idealizador do blog http://singrandohorizontes.blogspot.com . Contatos pavilhaoliterario@gmail.com )
Sobre o Autor comentado:
Átila José Borges nasceu em 28 de fevereiro de 1936, na cidade de Porto União/SC. Filho de Óttilo Borges e de Garacita Martins Ricardo Borges. Licenciado em Ciências pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Bacharel em ciências econômicas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná. Oficial Especialista em Comunicações pela Escola de Oficiais Especialistas da Aeronáutica. Licenciado em Estatística Superior pelo Ministério da Educação e Cultura. Foi oficial da Força Aérea Brasileira, professor da Universidade Federal do Paraná, do Centro ederal de Educação Tecnológica do Paraná, da Fundação de Estudos Sociais do Paraná e instrutor da Força Aérea Brasileira. Jornalista e Relações Públicas.
Tem trabalhos publicados no Brasil, Estados Unidos da América, Portugal, Argentina, Paraguai e breve na China. É autor de nove trabalhos técnicos editados e distribuídos pela Encyclopaedia Britannica do Brasil e Barsa Society além da Editora Três, Laboratório Ache do Brasil, entre outros.
Produziu e apresentou por mais de vinte anos, na TV Paranaense Canal 12 o programa Entre Nuvens e Estrelas (em prol da aviação) e foi colunista da Gazeta do Povo. Membro da Academia de Cultura de Curitiba. Membro da Academia de Letras do Brasil/ Paraná.
Autor de Sete Livros:
Memórias de um Guri em Tempo de Guerra; No Pico do Diabo; As Mais 100 Belas Mensagens; Mais de 700 Pensamentos Preferidos; Peludos X Pelados – A Guerra do Contestado; Emoções, Eu Vivi...; A Menina e o General.
Peça Teatral Infantil: – Um Menino entre Nuvens e Estrelas.
Fontes de Referência
– BORGES, Átila José. A menina e o general. Curitiba, PR: Editora do Autor, 2007.
– http://www.parana-online.com.br/
– http://pt.wikipedia.org
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Afinal o que é uma Academia de Letras e para que serve?
(Dez.2009)
por José Feldman*
Antes de falarmos de “imortais” que compõem as academias de letras que existem no Brasil, a grande dúvida de grande parte da população é que são estas academias e como se chega a elas.
Num encontro que tive recentemente numa Conferencia Estadual de Cultura, em Campo Mourão, um presidente de uma Associação de Literatos, despejou sobre mim as grandes vantagens de uma associação e falou mal das Academias. Segundo este nosso amigo, as Associações são livres para qualquer pessoa, não existem restrições como em uma Academia que possui um número limitado de membros. Uma Associação não cobra nada dos associados (pelo menos a dele), e todos os anos publica livros de qualquer escritor (não importando a qualidade), com dinheiro obtido em (desesperadamente) patrocinadores, assim como também não se preocupa muito com a qualidade do que é publicado.
O interessante de tudo é que, as Associações (não digo todas), que não possuem um mecenas que as patrocinem e não cobram alguma mensalidade são fadadas a ruir, pois não existe meios de sobrevivência. Infelizmente, no mundo que vivemos atualmente, sem dinheiro não há como viver. E o que mais chama a atenção é que estas pessoas defendem com todas as forças esta posição e o que observamos são instituições falidas.
Isto foi apenas uma pequena entrada. Vamos nos ater a que é uma Academia de Letras, porque os membros ocupam cadeiras (não poderiam se chamar poltronas ou sofás?), qual o objetivo de uma Academia?
A primeira academia foi fundada, na Grécia antiga, cerca de quatro séculos antes de Cristo, por Platão que dedicou às musas (sobre estas falaremos em outra oportunidade). Compunha-se de uma biblioteca, uma casa e um jardim. Segundo a tradição, o jardim seria do herói ateniense Academus, da guerra de Tróia, de onde se originou o termo "academia". Nessa escola, mestres e discípulos trocavam experiências sobre filosofia, matemática, música, astronomia e legislação. Seguido a ela houve a Academia do Meio, fundada pelo filósofo platônico grego Arcesilaus; e a Nova Academia, fundada pelo filósofo grego Carneades.
Nos séculos XIII e XIV, na época do renascimento na Europa, diversas academias de poetas e artistas começaram a se destacar na França e Itália. A mais famosa foi a Accademia Platônica, fundada em Florença por volta de 1440, que se aprofundou no discurso da obra de Platão, Dante e do aprimoramento da língua italiana.
Em 1635, o Cardeal Richelieu funda a Academia Francesa, que até hoje serve de base para todas as outras academias. Era formada por 40 cadeiras, cujos ocupantes perpétuos eram eleitos pelos mais antigos, depois de apresentarem suas qualificações.
Provavelmente, como o novo acadêmico tinha que lembrar sobre o seu antecessor (hoje chamado de patrono), surgiu a origem da enigmática expressão `acadêmico imortal`. Como entidade autônoma, a Academia inicia-se em meados do Século XVIII. Seu prestígio se devia da estima consensual pelas humanidades e a valorização da tradição escrita. No Brasil, a primeira Academia de Letras surgiu no Rio de Janeiro, em 1896, sob a presidência de Machado de Assis.
A partir daí, surgiram academias de grande porte e respeito como a Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras Maçonicas, etc. E, em cada cidade que pudesse suportar a criação de uma academia que conseguisse congregar cerca de 40 membros, foram criadas, como aqui no Paraná, em Maringá, em Londrina, em Paranavaí, em Curitiba, em Campo Mourão, e várias outras. Se contarmos a nível de Brasil, existem centenas de academias.
Agora vamos a segunda questão. O que são Cadeiras?
Na época da Academia Francesa todos os escritores, quase todos plebeus e pobres, promovidos, por isso, no Louvre, no palácio do rei, onde se reuniam, à situação de príncipes, duques, cardeais, sentavam-se em fauteuil (a poltrona, é, simbolicamente, um pequeno trono). Daí vem o prestígio da poltrona, da cadeira acadêmica .
Os lugares dos membros efetivos, chamados "Cadeiras" são vitalícios. Quando alguém é convidado foi longa e cuidadosamente avaliado sua produção literária e ou sua atividade em prol da cultura. Uma vez aceito, os acadêmicos (membros efetivos) tratam-se por "confrades" e "confreiras" e devem manter entre eles uma convivência social que faz parte do espírito acadêmico desde a criação das academias.
As Academias consideram Cadeiras, os lugares a serem ocupados pelos membros aprovados nelas, que sempre levarão o nome do literato, imortalizados nelas, mesmo após sua morte e sendo ocupado por novo membro.
De acordo com as regras da Academia francesa, no século XVIII, as Academias de Letras possuem um número fixo e vitalício de membros, ocupando cadeiras numeradas (geralmente de 1 até 40), que são vitalícias.
A partir do momento que é eleito o novo membro, a cadeira passa a ser sua, independente da solenidade de posse, que é uma formalidade oficial para divulgar o novo Imortal. Existem casos, como o paranaense Emílio de Meneses que ocupou a cadeira mas faleceu antes da posse oficial.
Definido o que são Academias e suas origens e porque os assentos que ocupam os Imortais se chamam Cadeiras, para que serve uma Academia?
A princípio elas têm a finalidade precípua de promover o cultivo das letras e incentivar as atividades intelectuais e culturais. A congregação de pessoas que se dediquem as atividades literárias e artísticas nas mais diversas formas de expressão; realizar a promoção, divulgação e apoio às estas atividades. Realizar um intercâmbio com entidades congênitas no Brasil e exterior. Defesa da língua, do idioma.
Então, uma Academia (ao contrário de uma Associação como de nosso amigo que mencionei acima), preserva o nome dos escritores através dos tempos. O seu trabalho seja em escritos ou seja por sua atividade cultural será sempre lembrado pelas futuras gerações. Um exemplo pela sua capacidade cultural a ser seguido pelos que vêm posteriormente.
Claro que existem muitos nomes que não estarão ocupando estas cadeiras, talvez por serem desconhecidos além do município ou por terem falecido, ou mesmo por fazerem questão de se manter no anonimato. Contudo, procuramos fazer jus aos seus nomes prestando-lhes as devidas homenagens, preservando seus nomes através de nomes de entidades, de ruas, estátuas, etc.
O que vale mesmo é o trabalho que estes bravos heróis efetuam para o desenvolvimento da cultura brasileira, sejam aos tropeços, seja com derrotas, que acreditaram em seus ideais, em seus sonhos. A todos eles, devemos agradecer sempre e sempre o pouco ou o muito (segundo o ponto de vista de cada um) que possuímos. Sejam eles nas Academias ou fora delas.
(*José Feldman, presidente estadual da Academia de Letras do Brasil, pelo Paraná. Poeta, escritor, trovador e gestor cultural. Idealizador do blog http://singrandohorizontes.blogspot.com . Contatos pavilhaoliterario@gmail.com )
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A História Viva de Nossa Literatura Esquecida em Curitiba
por José Feldman*
Hoje estou iniciando esta coluna para falar sobre os escritores daqui do Paraná. Assim, como em qualquer parte do Brasil existem aqueles que se sobressaem na mídia, e existem muitos escritores que por falta de poder aquisitivo são desconhecidos do público e que se não são melhores, pelo menos se equivalem a grandes nomes.
Mas, deixemos de “encher lingüiça” e vamos ao nosso primeiro escritor. Achei que seria bom iniciar com um vivo. Aliás, considero ele um ícone da Literatura Brasileira. Nascido em Atibaia, no interior de São Paulo, em 1922 e adotando Curitiba por lar há muitos anos, este escritor que ocupa a cadeira n. 69 da Academia de Letras do Brasil, pelo Estado do Paraná, montou em 1949, o jornal literário Tentativa, junto com Oswald de Andrade, tendo diversos colaboradores, como Sérgio Milliet, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Vinícius de Morais e outros. Seu nome: André Carneiro, um escritor que possui seus textos reconhecidos pelos maiores escritores do planeta e é pouco conhecido no Brasil.
Afinal quem é André?
Eu tive o enorme prazer de participar de três cursos ministrados por André Carneiro, de ficção científica na literatura e no cinema. Daí você estaria se indagando: “Porque fazer três vezes o mesmo curso?”. O tema é o mesmo, mas como o André os dava eram totalmente diferentes, seria como embarcar em uma nave espacial e a cada curso visitar um mundo diferente. É uma pessoa que fala abertamente, que muito viveu e que nos deixa bem a vontade, inclusive a ponto de nos permitir criticar seus próprios escritos de um modo bem humorado.
Foi cineasta, com filmes de pesquisa artística, premiados aqui e no exterior. Com seu filme Solidão representou o Brasil no Concurso Internacional para Filmes Artísticos, sendo premiado na Inglaterra em 1952, e exibido na França e Itália.
Seu conto "O Mudo" foi transformado em filme de longa metragem, dirigido por Júlio Xavier da Silveira em produção da Embrafilme, tendo no papel do Mudo, Nuno Leal Maia. Recomendo este filme, pois é um filme de arte fantástico, nada a ver com as pornochanchadas ou a violência e miséria encontrada nos filmes brasileiros de atualmente.
Fotógrafo artístico, participou de vários salões nacionais e internacionais, tendo sido premiado no Brasil, Holanda e Itália.
Pintor e escultor, inovou a arte expondo seus trabalhos aos quais denomina "pintura dinâmica", técnica na qual se vale de líquidos químicos imiscíveis ou não que tomam várias formas em compartimentos transparentes justapostos.
Também realizou exposições de "Poesia Colagem", técnica com a qual criou capas de livros de vários autores.
Como contista e romancista obteve repercussão mundial. É o único escritor brasileiro de ficção científica traduzido na Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica, ltália, Suécia, Japão etc. Foi destaque da editora norte-americana Putnam na antologia The Definitive Year's Best Selection, de 1973, que editou os melhores contos de Ficção Científica do Mundo.
Dinah Silveira de Queiroz o tratava por "nosso mestre da Ficção Científica", e Carlos Drummond de Andrade afirmou que, em seu livro Piscina Livre, André exercita de maneira brilhante a originalidade de ficcionista.
Seu nome consta como verbete de enciclopédias nacionais e estrangeiras. É o único membro na América do Sul do Science Fiction & Fantasy Writers of América, entidade profissional de escritores americanos.
Estreou na poesia com o livro Ângulo & Face, 1949, editado por Cassiano Ricardo, que afirmou: "seu poder de comunicação chega a ser contundente, fere mais do que a sensibilidade à flor da pele". Ferreira Gullar lamenta que "a poesia sóbria e humana de André Carneiro passe despercebida do grande público: seus poemas são construídos arquiteturalmente, num equilíbrio de verbalismo e emoção". André Carneiro é um dos dois maiores poetas vivos brasileiros, segundo Bernard Lorraine, poeta e critico francês.
Ganhou inúmeros prêmios nacionais como o Machado de Assis, do Estado da Guanabara, Melhor Livro do Ano, da Câmara Municipal de São Paulo, Prêmio Alphonsus de Guimaraens, em 1966, da Academia Mineira de Letras, e o Prêmio Nacional Nestlé, 1988, com o livro Pássaros Florescem.
Seu último livro, “Confissões do Inexplicável”, foi lançado em maio de 2007. Reunindo 27 contos, a obra tem na capa um invejável elogio: “André Carneiro merece a mesma audiência de um Kafka”. A comparação com o autor tcheco, um dos mais admirados e respeitados escritores do século XX, é assinada pelo romancista americano A. E. van Vogt.
Residindo em um apartamento em Curitiba, possuindo apenas 10% da visão, ele afirma que não é sistemático, mas que possui tudo organizado para achar as coisas, pois quase não enxerga. Só consegue sair de casa acompanhado de seu filho, que toca na orquestra de Curitiba. Sempre de bom humor, ele diz que não gosta que as pessoas se atrasem ao combinar com ele, a não ser que seja por um bom motivo, e que este seja só uma mulher. Qualquer que seja outro, é mais importante conversar com ele.
Num encontro de Blues, Vinho e queijos que realizei em meu apartamento em São Paulo, onde convidei escritores e poetas de diversos gêneros, contou que era fascinado por hipnotismo, inclusive escreveu livro sobre o assunto. Analisou o nascimento das crianças e criou a hipótese de que se poderia uma mãe programar o dia e a hora do nascimento do seu filho pela hipnose. Com a ajuda de um médico, fez a experiência com uma mulher, tentando provocar o nascimento do bebê em um determinado horário. Enfim, o bebê nasceu na hora desejada, mas no dia seguinte.
O poeta não tem nenhuma formação acadêmica, porém é um assíduo estudioso. Lê tudo e todos. Fluente em francês e capenga inglês, já ministrou palestras e cursos sobre literatura em diversas universidades do mundo. Sua obra é objeto de estudos, além de ser analisada em teses de doutorados da Universidade Estadual Paulista e da University of Arizona.
Quanto ao fato de que é tão pouco conhecido no Brasil, ele diz que aceita, pois o Brasil é um país onde se lê muito pouco. Têm pouquíssimas livrarias, a cultura é essa. Na Europa, nos Estados Unidos, na Argentina, têm bibliotecas e livrarias espalhadas em todos os cantos, e todas sempre lotadas. Essa falta de leitura e de incentivo à leitura que existe no Brasil é lamentável. É uma coisa dolorosa. Pouquíssimos escritores ganham dinheiro com literatura em nosso país. Nunca ganhou muito dinheiro escrevendo, mas é o que gosta de fazer. Escreve por prazer, por ideal.
Para ele, poeta não é apenas quem cria poemas. É a pessoa que através de atos, artísticos ou não, transforma, constrói e principalmente emociona.
Portanto, prezado leitor. Quando vamos começar a valorizar os vivos e parar de cultuar com tanta intensidade os mortos? Quando iremos olhar em redor e vermos que existem literatos que estão à mingua, porque não conseguimos enxergar além dos livros dos que se foram. Mas e o que estão vivos? Teremos que esperar que morram para que sejam reconhecidos?
(*José Feldman, presidente estadual da Academia de Letras do Brasil, pelo Paraná. Poeta, escritor, trovador e gestor cultural. Idealizador do blog http://singrandohorizontes.blogspot.com . Contatos pavilhaoliterario@gmail.com )
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