Curitibano e membro da Academia Paranaense de Letras, Alcides Munhoz nasceu em 1873. Além de ser reconhecido pela sociedade do Paraná pela qualidade de suas obras, é também lembrado pelo número de produções. Benedito Nicolau do Santos Filho afirma: “à sua inteligência e elevado sentimento artístico, o Paraná deve sua cooperação para o desejado alevantamento do Teatro Nacional” (SANTOS FILHO, 1979, p. 214).
Em 1922, o autor lançou Comédia Paranaense, livro que contém nove peças suas. Uma delas, “O Vigiado” foi encenada com grande sucesso, no Teatro Guaíra em 1921(SANTOS FILHO, 1979, p. 213). Outras duas, “As Meias de Seda”, comédia, e “Castor e Poluz”, tragicomédia, datam do mesmo ano. A última foi lida pelo próprio dramaturgo no Sarau de Arte do Clube Cassino Curitibano. (SANTOS FILHO, 1979, p. 213). Outra peça desse volume é “Flor do Campo” , cuja história se passa em Guarapuava e Curitiba. Santos Filho escreve: “O autor estuda, nessa peça, a psicologia social, os enganos e as perfídias da sociedade moderna” (SANTOS FILHO, 1979, p. 214). Continua dizendo que o autor condena a vadiagem da burocracia e valoriza o resultado do trabalho diário. Alcides Munhoz leu essa peça no Festival de Arte do Clube Curitibano em dezembro de 1921, sessão presidida pelo próprio Benedito Nicolau dos Santos Filho. O teatrólogo afirma que a leitura do dramaturgo teve “toda a arte e perfeição” (SANTOS FILHO, 1979, p. 214).
As outras peças dessa coleção são: “Estrela Polar”, da qual não se tem registro de montagens; “Dom Luxo”, que comemora o primeiro centenário da Independência do Brasil, e os seguintes poemetos teatrais: “Idílio do Tempo”, representado no Teatro Guaíra em 1921, e “Sabor do Beijo”, do mesmo ano (SANTOS FILHO, 1979, p. 214).
Também escreveu “A Hora da Missa” de 1926 (COSTA, 1991, p. 497). Na Sbat: Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, ainda há registro de outras peças em seu nome. São elas: “As Traças da Paixão”, “Ele por Eles”, “Feliz Ano Velho”, “Filho do Carcará”, “Florbela Espanca”, “Gertrude Stein, Alice Toklas e Pablo Picas”, “Lua de Cetim”, “O Retrato de Gertrude Stein Quando Homem”, “O Vigilado”, “Paris – Belfort”, “Tide Moregra e sua Banda de Najas” e “Tiete, Tiete”.
FONTE: www.noquintal.com/artigos/2007_2704.htm